Jesus David Penã, da
Efapel Cycling, conquistou este domingo o
Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, depois de vencer a terceira e última etapa da corrida, uma jornada exigente de 186,2 quilómetros entre Gouveia e Guarda, com quase 6300 metros de desnível positivo acumulado, marcada por 10 subidas, incluindo o Alto da Torre, e sucessivos ataques entre os candidatos à geral.
A etapa-rainha começou em ritmo elevado e com várias tentativas de fuga ainda antes da subida à Torre, pela vertente da Covilhã (20,6km a 6,5%). Ao fim de vários movimentos, quatro corredores conseguiram ganhar espaço ao pelotão: Iker Mintegi, Mikel Bizkarra (Euskaltel-Euskadi), Diogo Gonçalves (Efapel Cycling) e José Neves (GI Group-Simoldes-UDO).
A passagem pelo ponto mais alto de Portugal continental endureceu a corrida desde cedo. O grupo da frente manteve-se sólido na subida da Serra da Estrela e chegou a ter mais de três minutos de vantagem sobre um pelotão conservador, onde a Equipo Kern Pharma assumia a perseguição para defender a liderança de Iván Cobo.
A 48km quilómetros da meta, José Neves perdeu contacto com os companheiros de fuga. Pouco depois, foi Iker Mintegi a deixar de colaborar, cumprindo o trabalho em apoio a Mikel Bizkarra. A frente da corrida ficou então reduzida a Bizkarra e Diogo Gonçalves.
Já depois da passagem por Linhares da Beira, Diogo Gonçalves acelerou e seguiu isolado na liderança, quando ainda faltavam cerca de 30 quilómetros para o final. Atrás, o pelotão começava finalmente a partir-se, com Ruben Fernández a abir as hostilidades, com resposta de Lucas Lopes a fechar o espaço. A Kern voltou à cabeça do grupo dos favoritos, agora com a colaboração da Anicolor, preparando o ataque de Alexis Guerin, campeão em título, numa subida duríssima de 6,8km a 5,4%. Nych e de la Calle foram os atacantes que se seguiram, anulando Mikel Bizkarra que ainda estava intermédio.
Seguiu-se uma descida rápida, para enfrentarem de seguida uma das subidas mais inclinadas do dia - 2,6km a 9,3%. O pequeno Sergio Chumil, vencedor na Torre durante a Volta a Portugal 2024, atacou de entrada, com resposta de Sergio Henao. O duo abriu alguns metros, mas Domenico Pozzovivo encarregou-se de os fechar, num grupo dos favoritos que estava reduzido a 6 elementos, com Artem Nych a ceder. O veterano italiano contra-atacou e apenas o guatemalteco o conseguiu seguir, já na parte final da subida.
Com o ritmo cada vez mais elevado, a vantagem do corredor da Efapel foi diminuindo rapidamente. A 15 quilómetros da meta, Diogo Gonçalves foi alcançado por Domenico Pozzovivo (Solution Tech NIPPO Rali) e Sergio Chumil (Burgos Burpellet BH). Pouco depois, juntaram-se também Alexis Guérin (Anicolor-Campicarn), Pedro Silva (Feira dos Sofás-Boavista), Jesús David Peña (Efapel Cycling) e Javier Jamaica (NU Colombia). Havia duas certezas: Ivan Cobo iria perder a camisola amarela e era desse grupo restrito que sairia o vencedor da etapa e da geral.
Nos quilómetros finais, ninguém quis correr riscos antes do momento decisivo. Javier Jamaica tentou surpreender os adversários ainda antes da reta final, mas acabou por lançar demasiado cedo o sprint. Jesús David Peña aproveitou da melhor forma e impôs-se na chegada à Guarda, após 5h15m35s de corrida, batendo Alexis Guérin num sprint apertado. Domenico Pozzovivo terminou na terceira posição, a dois segundos.
O triunfo na etapa permitiu ao colombiano da equipa de José Azevedo subir ao primeiro lugar da classificação geral final. Alexis Guérin terminou a apenas três segundos do vencedor e não conseguiu defender o título, enquanto Domenico Pozzovivo fechou o pódio final, a seis segundos.
Nas classificações secundárias, Miguel Salgueiro, da Team Tavira-Crédito Agrícola, confirmou a vitória nas metas volantes, Lucas de Rossi, da China Anta-Mentech Cycling Team, venceu a montanha e Hugo de la Calle, Burgos Burpellet BH, terminou como melhor jovem. Por equipas, o triunfo pertenceu à Feira dos Sofás-Boavista.