Rafael Sousa foi 27.º nos sub-23 e os juniores portugueses enfrentaram um dos percursos mais exigentes do calendário no
Campeonato do Mundo de Ciclocrosse.
A participação Portuguesa no
Campeonato do Mundo de Ciclocrosse, disputado em Hulst, ficou marcada por corridas de enorme exigência técnica e física, num traçado pesado onde a lama profunda, as zonas de areia e as constantes variações de ritmo castigaram cada erro.
Na categoria de sub-23 masculinos, o grande protagonista foi o belga Aaron Dockx, que confirmou o estatuto de favorito ao conquistar o título mundial em 53m11s, após uma corrida controlada mas sempre a alto ritmo. O francês Aubin Sparfel ainda tentou acompanhar a ofensiva belga nas primeiras voltas, mas acabaria por ceder, enquanto o neerlandês Keije Solen garantiu o último lugar do pódio perante o público da casa.
Num pelotão extremamente competitivo, Rafael Sousa concluiu a prova na 27.ª posição, a 3m24s do vencedor, num desempenho que voltou a demonstrar a sua capacidade de resistência num contexto internacional de enorme intensidade. O português resistiu ao arranque explosivo dos primeiros quilómetros, estabilizou o ritmo a partir da segunda volta e foi consolidando posições num percurso onde a gestão de esforço se revelou determinante.
A corrida de sub-23 destacou ainda a profundidade da nova geração europeia, com belgas, franceses, neerlandeses, húngaros e espanhóis a preencherem grande parte do top-10, reflexo da força estrutural das grandes potências do Ciclocrosse.
Juniores Masculinos
Já na prova júnior masculina, o domínio foi neerlandês, com Delano Heeren a impor-se de forma clara desde as primeiras voltas, cortando a meta em 40m15s. O italiano Filippo Grigolini e o belga Giel Lejeune completaram o pódio após uma luta intensa por segundos, num início de corrida muito compacto antes de Heeren conseguir abrir vantagem nas zonas técnicas.
Entre os portugueses, João Vigário terminou na 44.ª posição, depois de uma prova de grande desgaste físico num pelotão internacional extremamente numeroso, enquanto Hugo Ramalho cruzou a linha de chegada em 57.º, resistindo até ao fim numa corrida marcada por quedas, esforço prolongado e condições muito pesadas do terreno.
O percurso de Hulst revelou-se um dos mais duros do calendário recente, exigindo não só potência, mas sobretudo técnica apurada na lama, capacidade de manter velocidade nas zonas de areia e leitura táctica para evitar erros nos sectores mais degradados à medida que a corrida avançava.
Para Portugal, este
Campeonato do Mundo representou mais um passo importante no contacto com o mais alto nível da disciplina,
tanto nos juniores como nos sub-23. As posições podem não refletir ainda ambições de topo, mas traduzem evolução, resistência competitiva e adaptação progressiva às exigências do Ciclocrosse internacional.
Num contexto dominado pelas grandes escolas belga e neerlandesa, a presença portuguesa em Hulst reforça o caminho de desenvolvimento da modalidade, com jovens ciclistas a acumularem quilómetros de experiência em provas onde cada segundo se conquista à força de técnica, coragem e capacidade de sofrimento.
Foto: UVP/FPC