A Volta à Romandia realiza-se de 23 a 28 de abril. É uma corrida tradicional do World Tour, onde os ciclistas têm a oportunidade de brilhar e lutar por vitórias, naquela que é a primeira prova de alto nível após as clássicas das Ardenas. Fazemos a antevisão do prólogo que definirá o primeiro líder da classificação geral;
A corrida começa com um prólogo de 2,2 quilómetros na cidade de Payerne. Vai ser um dia bastante interessante mas não serão de esperar grandes diferenças entre os ciclistas.
Prólogo: Payerne - Payerne, 2,2 quilómetros
No entanto, o vencedor poderá não ser um especialista. Não é um prólogo que se adapte aos contrarrelogistas, mas também a ninguém em particular, excepto ciclistas que saibam aliar a técnica à força em cima da bicicleta. Com efeito, este prólogo apresenta nada mais nada menos do que 10 curvas a 90 graus;
Isto significa que há uma curva, em média, a cada... 220 metros. Curiosamente, a maioria delas situa-se nos dois terços finais do percurso. É um prólogo extremamente denso em termos de curvas, onde as diferenças deverão ser feitas de acordo com a rapidez com que os ciclistas façam as curvas. Alguns correrão bastantes riscos na tentativa de no final poderem ser recompensados.
Mapa do prólogo da Volta à Romandia 2024
O Tempo
Teremos temperaturas frias e algum vento moderado de nordeste, mas isso não deverá afetar o dia, segundo refere o cyclinguptodate, o que pode, no entanto, é a chuva começar a cair ao início da tarde. A intensidade da chuva será uma incógnita, mas deverá ser ligeira, podendo no melhor dos cenários caírem apenas chuviscos. No entanto, é possível que alguns dos primeiros a partir não apanhem as estradas molhadas e, se isso acontecer, podem certamente retirar benefícios num percurso tão técnico.
Este é um percurso em que é difícil fazer uma previsão. A sorte com o tempo pode ser crucial, mas mais do que isso são os riscos que os ciclistas estarão dispostos a correr. Ser um purista em TT não terá muita relevância, porque não haverá um esforço constante nesta prova. Toneladas de acelerações, esforços anaeróbicos... Os sprinters e os ciclistas mais técnicos em cima da bicicleta terão uma hipótese muito real de destronar os mais notáveis especialistas da disciplina;
Na vertente mais clássica dos que são bons nos contrarrelógios temos ciclistas como Magnus Sheffield, Juan Ayuso, Ethan Hayter, Rémi Cavagna, Brandon McNulty, Benjamin Thomas, Kasper Asgreen, Josef Cerny, Mattia Cattaneo, Luke Plapp, Bruno Armirail e Thibault Guernalec.
É o primeiro dia da temporada de Thibau Nys mas num percurso tão técnico e explosivo ele poderá ser uma surpresa, não temos dúvidas. Ao lado de outros ciclistas como Maikel Zijlaard, Ivo Oliveira, Michael Hepburn, Rune Herregodts, Simone Consonni Tim van Dijke, Alex Aranburu, Johan Price-Pejterse, Jan Tratnik e Jan Christen que também poderão surpreender, apesar deles serem maioritariamente rouleurs ou mesmo ciclistas de clássicas. A forma física que apresentarem também será importante no esforço do dia.
*** Magnus Sheffield, Alex Aranburu ** Juan Ayuso, Maikel Zijlaard * Ethan Hayter, Rémi Cavagna, Brandon McNulty, Josef Cerny, Mattia Cattaneo, Luke Plapp, Thibau Nys, Ivo Oliveira, Tim van Dijke, Johan Price-Pejtersen, Jan Tratnik
Carlos Silva é redator do CiclismoAtual.com e do CyclingUpToDate.com, onde contribui regularmente com crónicas de corrida, entrevistas, análises e cobertura em direto das principais competições do calendário internacional. Licenciado em Desporto pelo Instituto Jean Piaget, alia a formação académica na área do rendimento desportivo e da competição à experiência prática no jornalismo de ciclismo profissional.
Ao longo da sua carreira, realizou entrevistas a figuras de referência do pelotão internacional, incluindo Alberto Contador, Joaquim Rodríguez, Óscar Pereiro, João Almeida, Isaac del Toro, Derek Gee, John Degenkolb e Geraint Thomas, refletindo contacto direto com vencedores de Grandes Voltas, especialistas de clássicas e jovens talentos emergentes.
Esteve presente em provas de alto nível, desde a Vuelta a España até ao Tour de France, bem como em corridas por etapas como a Vuelta a Andalucía, a Volta ao Algarve, a Volta a Portugal e O Gran Camiño. A cobertura das míticas subidas do Giro d'Italia permanece como um dos seus objetivos profissionais.
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Apaixonado pelo ciclismo desde sempre, aborda a narrativa desportiva em formato escrito, fotográfico e vídeo com foco na credibilidade, no rigor e na interpretação informada das corridas.