Tiesj Benoot vê a sua transferência da Visma-Lease a Bike para a Decathlon CMA CGM Team como um “novo começo”. Após quatro anos sobretudo como gregário de luxo de
Wout van Aert e
Jonas Vingegaard,
o belga de 31 anos mudou-se para a formação francesa para recuperar a liberdade de correr por conta própria.
Regresso à liderança
Embora a passagem pela super-equipa neerlandesa tenha sido relativamente bem-sucedida (com destaque para a vitória na Kuurne–Bruxelas–Kuurne em 2023 e vários pódios), Benoot admite que a mudança foi motivada pela vontade de quebrar a rotina.
“Os primeiros contactos foram em janeiro do ano passado, mas a decisão chegou um pouco mais tarde, durante o período das clássicas”, explicou Benoot ao
bici.pro sobre o timing da transferência. “Escolhi a Decathlon porque é uma equipa em rápido crescimento. Não tinha um motivo real para sair da Visma, mas fiquei contente por voltar a sair da minha zona de conforto, precisava de mudar e encontrar novos estímulos.”
Benoot reconhece que o seu papel na Decathlon será um regresso aos primeiros anos na Lotto (2014-2019) e na Sunweb (2020-2021).
“Sim, um pouco, acho que sim. Mas era isso que precisava”, disse. “A Decathlon talvez seja um pouco mais parecida com a Lotto e a Sunweb, onde estive antes, mas no fim, creio que teremos ainda assim uma equipa mais forte do que na altura.”
O calendário mantém o foco na janela clássica da primavera, onde habitualmente rende mais. “O período principal é março-abril… Vou fazer sete corridas, começando na Omloop Het Nieuwsblad e depois quase todas as outras, apenas a saltar Roubaix. Se conseguir ganhar uma, a minha época já será muito boa. Mas o objetivo é simplesmente estar no topo nessa fase.” Antes, deverá estrear-se a meio de fevereiro na Volta ao Algarve.
Tiesj Benoot tem quatro vitórias como profissional até ao momento
Acompanhar a nova geração
Benoot junta-se a uma equipa recentemente revitalizada, com jovens talentos como Léo Bisiaux e Paul Seixas. O veterano ficou impressionado com o que viu deles quando eram rivais no ano passado.
“Tenho a nítida sensação, agora que estamos lado a lado, de que vão dar o próximo passo nos próximos anos e, certamente, têm um grande futuro”, observou Benoot. “Espero fazer parte disso e poder ajudá-los, porque têm realmente excelentes oportunidades. O primeiro conselho que lhes posso dar é levarem a atividade com muita calma, não se deixarem esmagar pela pressão.”
A olhar para o verão, Benoot está entusiasmado com o Grand Départ da Volta a França em Barcelona. Será a sua nona participação consecutiva na Grande Boucle.
“Há 9 anos que não falho uma edição e gosto muito do arranque fora de França”, disse. Embora valorize as duas vitórias na Volta que ajudou Vingegaard a conquistar na Visma, espera que este novo capítulo lhe traga outra forma de glória. “Talvez este possa ser o ano certo para deixar a minha marca, fazê-lo com uma equipa francesa também teria um significado especial.”