O novo visual de
Tadej Pogacar continua a alimentar debates nas redes sociais.
Depois de mais uma atuação dominante na Strade Bianche, o esloveno voltou a estar no centro das atenções, não apenas pelo rendimento em estrada, mas também pelo cabelo descolorado. Nas plataformas digitais multiplicaram-se comentários e teorias que associam a mudança estética a práticas de doping, uma ideia que especialistas da área consideram completamente infundada.
A discussão ganhou dimensão sobretudo devido ao histórico do ciclismo. No passado, figuras como Richard Virenque ou Riccardo Riccò adotaram um visual semelhante, o que acabou por alimentar a crença popular de que descolorar o cabelo poderia servir para disfarçar vestígios de substâncias proibidas em análises capilares. A coincidência entre esse estilo e alguns dos períodos mais conturbados da modalidade ajudou a consolidar essa teoria entre adeptos mais desconfiados.
Contudo, do ponto de vista científico, não existe qualquer base para sustentar essa suspeita. Em declarações ao portal Sports.fr,
recolhidas pelo Jornal A Bola, o médico desportivo e especialista em doping Jean‑Pierre de Mondenard rejeita de forma clara essa associação. "A dominação de Tadej Pogacar na
Strade Bianche, nas clássicas e na Volta a França causa urticária aos que odeiam o ciclismo. Para confirmarem a sua certeza de que ele está dopado, alguns baseiam-se... no seu cabelo loiro oxigenado!", lamenta o especialista.
O médico lembra ainda que o domínio do líder da
UAE Team Emirates - XRG não começou agora. Pelo contrário, o esloveno tem sido uma das figuras dominantes do pelotão internacional há vários anos, muito antes de surgir com o atual cabelo loiro platinado. Para Mondenard, a coincidência entre a mudança de visual e as recentes vitórias não passa de um detalhe sem relevância científica.
Além disso, o especialista explica que o principal produto associado ao doping em desportos de resistência, a Eritropoietina, não pode ser identificado através de testes capilares. "A EPO, produto principal do doping nos desportos de resistência como o ciclismo, devido ao seu tamanho, não é detetável por análise capilar".
O médico acrescenta ainda que, embora processos químicos como a descoloração possam reduzir a presença de vestígios de algumas drogas, como cocaína ou opiáceos, essas substâncias raramente são utilizadas para melhorar o rendimento desportivo. Além disso, são facilmente identificadas através de métodos de controlo muito mais comuns, como análises ao sangue e à urina, que continuam a ser a base da maioria dos controlos antidoping no ciclismo profissional.
Para demonstrar o quão frágil é a suspeita levantada em torno do cabelo de Pogacar, Mondenard recorre a um exemplo de outra modalidade. "O futebolista Antoine Griezmann joga há anos com o cabelo cor-de-rosa fluorescente. Curiosamente, ninguém vê nisso um indício de doping... apesar de o futebol não estar isento da medicalização do desempenho", observa, referindo-se ao internacional francês do Atlético Madrid.
O próprio Pogacar já tinha esclarecido a razão para a mudança de visual. O ciclista explicou que o cabelo loiro não representa qualquer referência ao passado do ciclismo ou a antigos corredores, tratando-se simplesmente de uma homenagem ao rapper Eminem, artista de quem assume ser grande admirador.