A vitória de
Mathieu van der Poel na
Omloop Het Nieuwsblad ficará para a história pela aceleração no Muro e pela condução controlada até Ninove. Mas, segundo
Adam Blythe e Matt Stephens, o momento decisivo aconteceu muito antes.
Não na subida final. Não no movimento vencedor. No Molenberg.
Falando na análise pós-corrida da TNT Sports, Blythe sugeriu que o esforço mais explosivo do dia não foi o ataque que distanciou Florian Vermeersch e Tim van Dijke, mas a recuperação que evitou o desastre.
“Imagino que a potência máxima do Van der Poel hoje tenha sido naquele toque para fechar o espaço,” disse Blythe.
O segundo que partiu a corrida
No sopé do Molenberg, Vermeersch acelerou. Um corredor da Tudor à frente de Van der Poel perdeu tração no paralelo molhado e caiu. Num instante, o campeão do mundo teve de desencaixar e pôr o pé no chão para evitar a queda.
“Não se pode culpá-lo muito,” disse Blythe sobre o ciclista que caiu. “Escorregou no empedrado molhado.”
Van der Poel, porém, não hesitou. “Não houve pânico,” observou Stephens. “Pé no chão, toque rápido, como numa corrida de ciclocrosse, e de volta à bicicleta.”
Seguiu-se um impulso subtil, mas crítico. Quase a partir da inércia, numa pendente acentuada, Van der Poel encaixou de novo, recuperou embalo e fez a ponte até Vermeersch. Foi a cisão que redefiniu a corrida. “Esse foi o momento que ganhou a corrida,” acrescentou Stephens.
O esforço para recomeçar em paralelo molhado a 15-16 por cento, sem patinar nem bloquear, pode ter sido maior do que o ritmo que mais tarde afastou os rivais. “Quando ele põe o pé no chão, praticamente pára,” explicou Blythe. “Conseguiu mudar de mudança, voltar a encaixar e acelerar sem sequer sair do selim.”
Controlo em vez de brutalidade
O que distinguiu esta vitória na Omloop não foi a violência, mas a contenção. “Não me lembro de o ver ganhar uma corrida assim,” admitiu Blythe. “Normalmente, é um ataque demolidor. Mas aqui, não pareceu ter de fazer muito.”
Em vez de detonar a prova com acelerações sucessivas, Van der Poel correu em controlo. “Vai apertando o torniquete,” disse Blythe. “Não é a fundo. Simplesmente põe potência e vai afastando os adversários.”
Stephens notou que ele nem olhou para trás quando abriu o espaço. “Nem sequer virou a cabeça.”
Numa corrida marcada por quedas e desordem, a compostura foi decisiva. As equipas tiveram dificuldade em reorganizar-se após incidentes sucessivos. Vários candidatos foram atrasados ou eliminados. Van der Poel não.
O movimento vitorioso surgiu no Muro. A vitória, segundo Blythe e Stephens, ficou selada segundos antes, no Molenberg, quando instinto, equilíbrio e calma transformaram o caos em vantagem.
Num Fim de Semana de Abertura caótico, o gesto mais pequeno produziu a maior separação.