“Queria pressioná-los mentalmente e mostrar-lhes que não vai ser assim tão fácil” - Paul Seixas responde à Red Bull com ataque tardio para ampliar a liderança na Volta ao País Basco

Ciclismo
quinta-feira, 09 abril 2026 a 20:00
Primoz Roglic and Paul Seixas
Paul Seixas transformou um dia de pressão constante em mais uma demonstração de força na Volta ao País Basco 2026, respondendo às investidas repetidas da dupla da Red Bull - BORA - Hansgrohe, Florian Lipowitz e Primoz Roglic, com um movimento tardio que lhe rendeu segundos face aos rivais da geral.
Depois de ser testado ao longo de toda a etapa, o camisola amarela manteve a frieza antes de atacar na descida, um gesto que não só afastou os adversários como reforçou o controlo da corrida à entrada dos dias decisivos.

“Não entrei em pânico… Quis guardar algo para o final”

Seixas admitiu que esperava ataques, mas não de tão longe. “Sabia que provavelmente iam tentar atacar-me hoje. Sinceramente, não esperava que fosse de tão longe, mas mantive o controlo e não entrei em pânico. Quis guardar algo para o final”, disse ao Cycling Pro Net.
Em vez de reagir por impulso, o francês preferiu absorver a pressão, confiando na forma e no trabalho de preparação. “Tínhamos feito o reconhecimento com a equipa, por isso conhecia a descida. Já a tinha feito e pensei que podia tentar ali, até porque nem todos descem ao mesmo nível.”
Paul Seixas de amarelo na Volta ao País Basco 2026
Paul Seixas de amarelo na Volta ao País Basco 2026
Esse conhecimento revelou-se decisivo, com Seixas a desferir o ataque no momento exato em que o pelotão hesitou.

“A vitória de etapa não me interessava”

A intenção do ataque foi clara e, curiosamente, pouco ligada ao resultado da tirada. “Consegui abrir espaço e levar alguns corredores comigo. Hoje, a vitória de etapa não me interessava. Queria foi ganhar tempo, colocar-lhes alguma pressão psicológica e mostrar que não vai ser assim tão fácil.”
A abordagem sublinha a maturidade da sua corrida, com Seixas focado menos no prémio imediato e mais em consolidar a posição na classificação geral.
Por trás do movimento esteve uma exibição coletiva que lhe permitiu manter o controlo ao longo da etapa. “A equipa esteve muito forte hoje. Colocou-me sempre no sítio certo. Nunca tive um momento em que me sentisse fora de posição no pelotão. Foi mesmo uma prestação perfeita da equipa”, afirmou, orgulhoso.
Essencialmente, esse apoio permitiu a Seixas poupar energia para o momento-chave. “Nas subidas, ficaram comigo e apoiaram-me o tempo todo. Nunca estive sozinho, e isso permitiu-me guardar forças para o final e depois tentar aquele movimento.”

“Não foi arriscar, foi calculado”

O movimento de Seixas surgiu numa descida técnica, mas o líder fez questão de salientar que foi uma decisão calculada, não uma aposta. “Não corri riscos desnecessários. Conhecia a descida, por isso confiei em mim. Descer é bastante psicológico; há períodos da época em que te sentes melhor do que noutros, e agora estou muito confortável.”
Com a corrida a entrar na fase mais decisiva, Seixas acredita ter respondido às principais perguntas colocadas pelos rivais. “Até agora, eles ainda não conseguiram realmente colocar-me em dificuldade. Sinto-me forte, estou a recuperar bem, e veremos o que acontece amanhã.”
Enquanto a atenção em torno de si cresce, o foco mantém-se na corrida. “É agradável, claro. Mas não me concentro nisso. Estou na corrida, mantenho-me focado no que tenho de fazer.”
Após mais uma exibição serena e assertiva, Seixas não só ampliou a vantagem como deixou um recado claro aos adversários: quebrá-lo exigirá bem mais do que agressividade precoce.
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