A pouco mais de um minuto do camisola arco-íris no domingo,
Toon Aerts ficou longe no relógio, mas a sensação de domínio foi bem maior. Ao cortar a meta em oitavo no
Campeonato do Mundo de ciclocrosse, o campeão da Europa só teve elogios para o vencedor, equiparando a hegemonia de
Mathieu van der Poel à de
Eddy Merckx.
“Gostava de ter ficado um pouco mais perto nos resultados, mas acho que hoje consegui correr com eles, atrás dos três mais fortes”, disse Aerts em declarações recolhidas pelo
In de Leiderstrui. “A certa altura vi que não estávamos a perder muito terreno para o Thibau [Nys] e o Tibor [Del Grosso], mas estás ali com um grupo de estrangeiros. Vais a fundo ou rolas um pouco para o 4º lugar?”
A chuva mudou tudo
Aerts acabou por apostar na luta pelo quarto lugar, mas uma mudança súbita do tempo na última volta arruinou os planos. “Escolhi ficar nesse grupo, mas tenho de ser honesto: no final, quando começou a chover, já não tinha a técnica para disputar o 4º lugar”, admitiu.
“Em cinco minutos o circuito tornou-se completamente diferente”, explicou Aerts sobre o final caótico. “Não sei se houve corredores a mudar de bicicleta, mas já não havia tempo para isso… Se não estavas preparado para aquilo ao sair com pneus um pouco mais baixos… ficavas mesmo em ‘tubulares’ muito escorregadios”.
O grande momento do inverno de Toon Aerts foi o título europeu
“Portanto, incomodou-me, mas provavelmente aos outros também um pouco. Na última volta, acho que contou sobretudo a técnica. Estou curioso para ver como o Tibor e o Thibau lidaram com isso”.
Sobre o vencedor, Aerts não poupou na admiração. “Ele é um fenómeno. É um fenómeno no inverno. É um fenómeno no verão”, exultou sobre Van der Poel,
que garantiu o seu oitavo título mundial de ciclocrosse. “Acho que neste momento há um corredor em todo o mundo que é melhor numa bicicleta. Certamente em terreno específico, a subir”, acrescentou, numa referência a Tadej Pogacar.
Ainda assim, no plano da dominância, Aerts puxou da comparação histórica máxima. “Mas de resto, para mim, o
Mathieu van der Poel é um homem como o
Eddy Merckx”, afirmou o campeão da Europa. “Nunca vi o Eddy Merckx correr, mas acho que deve ter sido algo assim”.
“Sou mais fã do Wout”
Apesar dos elogios, Aerts deixou uma nota pessoal bem-disposta sobre a rivalidade eterna no cross. “Não tenho necessariamente uma ligação com ele. Sou mais fã do Wout van Aert. Provavelmente não dá para torcer pelos dois”, brincou Aerts. Afinal, os apelidos quase se confundem.
“Mas tenho um enorme respeito pelo Mathieu. No primeiro cross que fiz, aos doze anos ou assim, ele também correu na minha prova. Corria duas categorias acima e também se isolou logo na primeira curva. Já era um fenómeno e continua a pedalar nesse patamar”.