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Team Visma | Lease a Bike prepara-se para perder uma das figuras mais influentes da sua estrutura técnica. Griescha Niermann, atual responsável máximo pela área desportiva da formação neerlandesa,
está de saída para a Lidl-Trek, numa mudança que marca mais um capítulo na profunda reorganização que tem marcado as duas equipas: a Visma vai perdendo líderes, quer na estrada, quer no carro, e a Lidl está a apetrechar-se cada vez mais.
Aos 50 anos, o antigo corredor alemão desempenhou um papel determinante no crescimento da Visma ao longo da última década. Integrado na estrutura desde 2017, foi uma das peças-chave nos sucessos alcançados pela equipa, acumulando 10 gerais de grandes voltas, 3 monumentos, além de várias vitórias em provas de uma semana e em grandes clássicas, debaixo da sua chancela. Depois da saída de Merijn Zeeman, em 2024, assumiu maiores responsabilidades na liderança da organização, funções que passarão agora para Marc Reef. Do ponto de vista desportivo, a equipa neerlandesa perdeu também ciclistas importantes durante os últimos anos, com destaque para Simon Yates, que se retirou no inicio de 2026, mas também Primoz Roglic, Olav Kooij e Tiesj Benoot, este três para equipas rivais.
Do outro lado, a Lidl-Trek continua a reforçar a sua estrutura diretiva. A formação norte-americana anunciou recentemente várias alterações internas, incluindo a entrada de Andy e Frank Schleck em cargos de destaque. Niermann deverá assumir funções a partir de setembro, sucedendo a Luca Guercilena, dirigente que esteve à frente da equipa durante os últimos 15 anos.
A saída do alemão apanhou muita gente de surpresa no mundo do ciclismo.
No podcast In de Waaier, o analista neerlandês
Thijs Zonneveld considerou que a Visma poderá sentir dificuldades para colmatar esta perda, sobretudo numa altura em que a concorrência entre equipas se tornou mais intensa.
“Acho que eles têm um problema, porque nem todos os que saíram agora são substituíveis. Quando Merijn Zeeman saiu, nós também pensámos isso, mas eles ultrapassaram a situação”, afirmou.
A Visma anunciou a saída de Niermann após a vitória de Vingegaard na Volta a Itália
Para Zonneveld, o cenário atual do ciclismo profissional é bastante diferente daquele que existia há alguns anos. O crescimento financeiro de várias equipas, que operam com orçamentos superiores a 50 milhões de euros, tem provocado uma disputa cada vez mais forte não apenas pelos melhores corredores, mas também pelos elementos das estruturas técnicas.
“Já é bastante difícil que outras equipas estejam agora não só de olho nos seus ciclistas, mas também na sua equipa técnica. Os membros da equipa técnica não ganham o mesmo salário que os líderes da equipa, por isso são mais sensíveis a uma maior quantidade de dinheiro. As diferenças podem ser enormes. Portanto, agora depara-se com a situação em que a sua equipa técnica também terá de receber mais”.
O comentador destacou ainda a entrada de patrocinadores com grande capacidade financeira, algo que alterou significativamente o equilíbrio de forças dentro do pelotão internacional.
“O papel dos patrocinadores está a tornar-se cada vez mais importante. A Red Bull, a Lidl-Trek e a Decathlon têm agora também dinheiro real para investir. Já não são apenas a UAE e a INEOS. A Visma terá de se defender disso. O equilíbrio no mundo do ciclismo mudou bastante”.
Além das mudanças na estrutura técnica, Zonneveld considera que a equipa neerlandesa enfrenta outro desafio importante a médio prazo: preparar a sucessão dos seus principais líderes. Com Jonas Vingegaard e Wout van Aert a entrarem numa fase mais avançada das respetivas carreiras - o dinamarquês tem 29 anos e o belga 31 - a necessidade de encontrar novas referências começa a ganhar relevância.
Alguns jovens têm ganhado protagonismo e têm condições para dar muitos triunfos à equipa, como sejam os casos de Matthew Brennan, Jorgen Nordhagen e dois destaques da recente Volta a Itália: Davide Piganzoli e Tim Rex, mas o analista não parece estar totalmente convencido.
“O cenário é completamente diferente agora do que era há cinco anos. Os ciclistas mais bem-sucedidos da Visma, Van Aert e Vingegaard, também estão a envelhecer. Precisarão de encontrar substitutos para eles. E isso está a tornar-se cada vez mais complicado”.