A 3ª etapa da
Volta a Itália voltou a parecer calma à superfície, mas deu muito que analisar para o comentador da Eurosport Javier Ares, que
dissecou tudo no seu canal de YouTube após a abertura búlgara, antes da transferência para o sul de Itália.
O destaque do dia voltou a ser o francês
Paul Magnier, que somou mais um triunfo ao sprint e confirmou o arranque espetacular no Giro. Ares sublinhou o nível do jovem sprinter,
capaz de voltar a bater Jonathan Milan num final explosivo.
“Voltou a vencer o Jonathan Milan no terreno dele”, enfatizou o comentador, impressionado pela potência do francês nos metros finais.
Guillermo Thomas Silva, líder da Volta a Itália
O jornalista destacou ainda a surpreendente liderança geral do uruguaio Tomás Silva, que manterá a maglia rosa após os três primeiros dias na Bulgária. Para Ares, um dos grandes pontos positivos deste Grande Tour italiano começar no estrangeiro foi o aparecimento de ciclistas e nacionalidades menos habituais na linha da frente do ciclismo mundial.
“No Uruguai, não falemos só do Fede Valverde ou do Luis Suárez e companhia - falemos também de ciclismo. É uma notícia fantástica”, disse.
Ares defendeu que estes arranques internacionais podem ajudar a fazer crescer a modalidade e inspirar novas vocações em países sem tradição. Apontou as fortes multidões locais nas chegadas e o interesse gerado durante as três etapas na Bulgária.
Nem tudo foi positivo, contudo. O comentador manifestou preocupação com as numerosas quedas e abandonos já registados, sobretudo na UAE Team Emirates - XRG, que perdeu peças-chave como Adam Yates, Jay Vine e Marc Soler numa única queda.
Quedas exigem mudanças
“Já temos um balanço bastante negativo e, acima de tudo, chocante pela brutalidade da queda”, lamentou.
Essa situação levou Ares a abrir um debate sobre possíveis alterações regulamentares no ciclismo moderno. Chegou mesmo a lançar a ideia de introduzir novos formatos para animar as etapas planas e evitar dias demasiado controlados pelo pelotão.
“Temos de repensar isto”, insistiu, defendendo alternativas que reforcem o espetáculo e aumentem o retorno publicitário para os patrocinadores. Entre as ideias, surgiu a hipótese de contar diferenças intermédias de tempo para a classificação geral para lá da meta, incentivando o ataque durante a etapa.
“Se as bonificações não estão a resultar, encontremos outros incentivos”, refletiu.
Pelotão em gestão
Ares analisou também a tática do dia, moldada por uma fuga controlada de três corredores que esteve perto de vingar. O espanhol Diego Pablo Sevilla voltou a estar ativo na dianteira e consolidou a liderança da montanha após mais uma longa escapada.
Segundo o jornalista, o pelotão rolou numa lógica claramente conservadora, atento à exigente transferência logística para Itália. “Foi um dia de sesta - esta noite viajamos”, resumiu.
No final, novo sprint em pelotão decidiu a etapa, embora Magnier tenha surpreendido com uma arrancada poderosa no empedrado para ultrapassar novamente Milan e reforçar a candidatura à maglia ciclamino.
“A aceleração final do Milan parecia que ia praticamente desfazer a bicicleta, mas a resposta de Magnier mostra um corredor de quem vamos falar muito”, notou Ares.
Após três etapas na Bulgária, o Giro entra agora num dia de descanso antes de regressar a Itália, onde a corrida avançará progressivamente para terreno mais seletivo para a classificação geral.