“Daqui a 10 ou 15 anos, vamos poder dizer que fomos colegas de equipa dele” - O impacto de Paul Seixas já se faz sentir na Decathlon

Ciclismo
quinta-feira, 16 abril 2026 a 19:00
Paul Seixas
Com apenas 19 anos, Paul Seixas já não é descrito como um corredor para o futuro. A conversa passou para o que está a fazer agora.
Uma vitória de etapa e segundo da geral na Volta ao Algarve, segundo atrás de Tadej Pogacar na Strade Bianche, triunfo na Faun-Ardèche Classic e depois uma vitória dominadora na geral da Volta ao País Basco. Os resultados, por si só, colocam-no entre as grandes revelações da época. Dentro da Decathlon CMA CGM, o efeito foi além dos números. Mudou a forma como a equipa corre.

De opção a líder

Seixas não chegou à Volta ao País Basco como líder indiscutível. Saiu como o corredor à volta de quem tudo passou a ser construído. “O nível físico dele, a liderança, são tão inquestionáveis que acho que para os colegas é completamente natural correr para o Paul”, disse Aurelien Paret-Peintre ao Eurosport.fr.
Esse grau de aceitação não é automático, sobretudo quando o corredor ainda vai na segunda época como profissional. Normalmente, são precisos anos para consolidar esse estatuto. Neste caso, bastaram meses. Em vez de forçar o tema, Seixas retirou qualquer debate. O nível dele tomou a decisão por todos.

Uma explosão que confirmou a crença interna

Dentro da equipa, a mudança já vinha a ganhar corpo. “Já sentíamos que ele tinha potencial para ser líder e que isso quase agitava as coisas para o Felix Gall”, explicou Nicolas Prodhomme, também ao Eurosport.fr.
O que a Volta ao País Basco trouxe foi confirmação. Não só de que Seixas podia liderar, mas de que conseguia controlar uma corrida WorldTour do princípio ao fim.
Esse controlo assentou tanto na preparação como no desempenho. “Ele não chegou a dizer ‘vou ganhar’, longe disso”, apontou Paret-Peintre. “Mas sabia que ia poder lutar na frente”.
A partir daí, a equipa comprometeu-se totalmente com um plano centrado nos momentos decisivos, em particular na subida a San Miguel de Aralar. “Estava planeado que o Jordan fizesse a parte inicial e que eu assumisse a segunda, até àquela rampa íngreme onde o Paul queria atacar”, explicou Prodhomme.
A execução seguiu o plano à risca. Seixas atacou onde estava previsto e criou de imediato a separação que definiu a corrida.
Paul Seixas na Volta ao País Basco 2026
Paul Seixas na Volta ao País Basco 2026

Até os mais próximos ficaram surpreendidos

A dimensão da exibição não foi totalmente antecipada, nem dentro da equipa. “Quando ele cortou a meta, eu estava no autocarro e vi que tinha tirado 28 segundos ao Roglic”, recordou Paret-Peintre. “No contrarrelógio, fala-se muitas vezes em segundos por quilómetro. Aqui, isso dá quase dois segundos por quilómetro. Surpreendeu-me mesmo”.
Essa reação é elucidativa. Expõe o fosso entre expectativa e realidade, mesmo entre quem trabalha com ele todos os dias. Ao longo da semana, Seixas não se limitou a responder à corrida. Ditou-a.

A aprender enquanto já lidera

Apesar dos resultados, a sua evolução como líder ainda está em curso. “Ele vai crescer cada vez mais nesse papel. Aos 19 anos, não é fácil dirigir-se aos colegas, mesmo com uma equipa jovem. Acho que vai amadurecer gradualmente nesse aspeto”, afirmou Paret-Peintre.
Há também detalhes táticos a afinar. “É preciso encontrar o equilíbrio certo, para não irritar demasiado as outras equipas”, acrescentou Prodhomme. “Às vezes fomos um pouco exigentes de mais. É preciso aceitar deixar alguns corredores irem”.
Essas são as margens que a experiência moldará. Os alicerces já lá estão.

Um vislumbre de algo maior

O que mais se destaca não é apenas o nível que Seixas atingiu durante a semana, mas o efeito que já está a produzir à sua volta. Dentro da equipa, a reação não é em termos de potencial, mas de perspetiva. Quem o acompanha já coloca o que viveu numa linha temporal mais longa, consciente de que só com distância tudo fará pleno sentido.
“Foi ótimo estar ao lado dele na semana passada. Não sabemos até onde o Paul vai chegar, mas, daqui a 10 ou 15 anos, vamos poder dizer que, quando pusemos fim a 20 anos sem uma vitória WorldTour, estávamos lá com ele. Os colegas estão a ficar mais fortes ao lado dele. Queremos superar-nos para o apoiar o mais longe possível”, sustentou Paret-Peintre.
Essa reflexão retira o foco de um único resultado. Coloca Seixas num quadro mais amplo, onde o seu impacto já se mede pela forma como está a transformar quem o rodeia.
Aos 19 anos, é isso que separa um talento promissor de algo mais significativo. Não apenas a capacidade de ganhar, mas a de remodelar o ambiente onde essas vitórias acontecem.
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