Há doze meses,
Julien Vermote alinhava nas maiores corridas da primavera, disputando a Strade Bianche, Paris-Roubaix e Liege-Bastogne-Liege como fiel gregário da
Team Visma | Lease a Bike, em apoio a corredores como
Wout van Aert. Agora, com a época de 2026 a entrar em maio, Vermote encontra-se sem contrato e a ver passar as corridas que outrora definiam o seu papel.
O belga de 36 anos continua sem acordo para a presente temporada depois de o seu vínculo com a Visma ter expirado no final do último ano e não ter sido renovado. Para Vermote, é a terceira vez em cinco anos que fica sem equipa, um padrão que sublinha quão precária se tornou a sua posição no pelotão moderno.
A realidade é agravada pelo calendário. Especialista de clássicas, a sua janela mais natural já fechou. Enquanto outros lutavam por resultados no empedrado e nas Ardenas, ele ficou de fora, a treinar sozinho e à espera de uma oportunidade que ainda não surgiu.
“Houve algumas conversas nos últimos meses. Esperava estar mais avançado nesta altura, mas no fim nada se concretizou”,
disse Vermote em entrevista ao Krant van West Vlaanderen.À espera de uma chamada que pode não chegar
Apesar da incerteza, Vermote manteve a preparação como se o regresso fosse possível. A estratégia é simples: estar pronto, caso alguma equipa precise de uma mão experiente em cima da hora. “Se me ligarem amanhã, estou, por assim dizer, disponível no dia seguinte”, explicou.
Não é uma situação nova para Vermote. Após uma passagem pela Cofidis, passou anteriormente meses sem contrato antes de ingressar na Alpecin Fenix em 2021. Mais recentemente, quando não surgiu acordo para 2023, Vermote tomou a iniciativa, montou a sua própria estrutura, encontrou patrocinadores e correu sobretudo no circuito de kermesses para manter a carreira viva.
Essa persistência acabou por devolver Vermote ao WorldTour. Em 12/2023, surgiu-lhe uma via inesperada para a Team Visma | Lease a Bike após a retirada de Lennard Hofstede, entrando diretamente numa das equipas mais fortes do pelotão. Vermote retribuiu a confiança com uma primavera completa em 2024, voltando ao papel que definiu a sua carreira: controlar corridas, posicionar líderes e fazer o trabalho invisível que permite a outros lutar pela vitória.
A Visma prolongou o contrato de Vermote por mais uma época, sinal de que o seu contributo era valorizado internamente. Mas no final de 2025, a equipa seguiu outro rumo, optando por renovar o bloco de apoio com corredores mais jovens e deixando Vermote novamente à procura de alternativas.
Uma carreira na encruzilhada
Houve pequenos lembretes do estatuto de Vermote no pelotão. Patrick Lefevere, o homem com quem iniciou a carreira profissional, ajudou a viabilizar presenças em duas corridas nos Emirados Árabes Unidos no início do ano, oferecendo um breve regresso ao pelotão. “Foi agradável poder fazer isso com o Patrick. Divertimo-nos. Comecei a carreira profissional com ele e tive depois muitos bons anos ao seu lado”, disse Vermote.
Mas, com o passar das semanas, o quadro geral torna-se difícil de ignorar. Aos 36 anos, sem contrato e com as clássicas da primavera já encerradas, as oportunidades que melhor se ajustam ao perfil de Vermote rareiam. As equipas olham cada vez mais para corredores jovens em desenvolvimento para funções de gregário, reduzindo o espaço para especialistas experientes conseguirem acordos tardios.
Para já, Vermote continua a treinar e a esperar, agarrado à possibilidade de que a chamada ainda chegue. Se chegar a tempo, é outra história.