A temporada de 2026 arrancou com grandes expectativas em torno de
Remco Evenepoel, agora nas novas cores da
Red Bull - BORA - Hansgrohe. Contudo, após as primeiras semanas de competição em Espanha, a sua prestação na Volta aos EAU incendiou o debate na Bélgica.
O jovem belga venceu o contrarrelógio da corrida, confirmando que continua a ser uma referência absoluta na disciplina, mas sofreu nas duas etapas de montanha decisivas, perdendo terreno para os rivais nas chegadas em alto.
Estágio em altitude no Teide para reforçar os indicadores de rendimento
A incapacidade de seguir os melhores trepadores nesses momentos-chave alimentou críticas na comunicação social e entre os adeptos belgas, que questionaram a sua condição física nesta fase inicial da época.
Dirk De Wolf e
Tom Boonen debateram o tema no Cycling Club Wattage, com Boonen a tentar travar a precipitação nos juízos.
Remco Evenepoel e Tadej Pogacar conversam antes da corrida @Sirotti
“Ainda é demasiado cedo para tirar conclusões. Estamos apenas em fevereiro. Antigamente era até um mau sinal quando ganhavas a Volta aos Emirados Árabes Unidos, com tudo o que ainda vinha aí.”
Remco Evenepoel seguirá para um estágio em altitude no Teide e, concluído esse bloco, poderemos ver um Remco diferente, com capacidades de escalada melhoradas. “A subir, o Remco vai evoluir muito por causa desse estágio de montanha. Mas é claro que os outros também estão a escalar cada vez melhor”, disse Dirk De Wolf.
De Wolf acrescentou ao seu raciocínio: “Mas nas subidas ele terá de ligar com Ayuso, Del Toro e Vingegaard para subir ao pódio de uma grande Volta.”
No Médio Oriente, o mais forte na montanha foi Isaac del Toro, da UAE Team Emirates - XRG, com o italiano Antonio Tiberi como principal rival.
A corrida decidiu-se na chegada em alto de sábado, em Jebel Hafeet. “Na Volta aos Emirados Árabes Unidos, o Remco correu em casa da equipa Emirates. Eles fizeram dessa prova um objetivo principal”, salientou Boonen.
“Ninguém lhe chega aos calcanhares”
Embora a Emirates ambicione sempre vencer a sua prova de casa, Remco venceu o CRI de cerca de 12 km e abalou a UAE, recuperando o tempo perdido e assumindo a liderança da geral, deixando Isaac del Toro abalado. “O Remco continua a ser o melhor contrarrelogista. Ninguém lhe chega aos calcanhares”, afirmou De Wolf.
Boonen não quer atribuir demasiada importância aos momentos difíceis de Evenepoel no Médio Oriente. “Deixem o Remco fazer o que quer”, com De Wolf a contrapor: “O Remco vai certamente ganhar muitas outras corridas. Mas nós, adeptos belgas, queremos vê-lo a subir com os melhores dos melhores.”
A corrida, que terminou no último domingo, deixou muito tema para discussão. Embora tenha estado um ponto abaixo do seu nível habitual, Evenepoel tem os objetivos de 2026 bem definidos, com a Volta a França no horizonte.
Em março, Remco regressa a Espanha para a Volta a Catalunha e, em abril, tem três clássicas no calendário: Amstel Gold Race, La Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège.