Juan Ayuso encerrou o Tour Auvergne-Rhône-Alpes com um lugar no pódio da classificação geral que soube a pouco, ao ser terceiro numa corrida decidida na subida ao Plateau de Solaison. O espanhol não conseguiu responder
ao ataque vitorioso de Isaac del Toro, mas saiu satisfeito com a evolução demonstrada ao longo da semana e com o desempenho coletivo da
Lidl-Trek, naquela que foi a derradeira prova de preparação antes da Volta a França e marcou o seu regresso à competição após uma primavera conturbada.
Na etapa decisiva, Del Toro lançou a ofensiva a cerca de nove quilómetros da meta, isolou-se na frente da corrida e assegurou simultaneamente a vitória na etapa e na geral. Ayuso ainda acelerou mais tarde na subida final, conseguindo distanciar Matteo Jorgenson para garantir o terceiro lugar da geral, mas já não conseguiu reduzir a diferença para o mexicano da UAE Team Emirates - XRG, nem terminar com vantagem suficiente para roubar o 2º posto a Luke Tuckwell, que o defendeu bravamente, com muito apoio de Maxim Van Gils.
No final da corrida, o espanhol preferiu destacar o trabalho desenvolvido pelos companheiros de equipa, que assumiram o comando do pelotão durante praticamente toda a etapa rainha da corrida.
“Tentei mesmo dar o meu melhor porque a equipa esteve incrível. Controlámos o dia todo e o trabalho dos rapazes hoje foi impressionante. O início foi duríssimo, o Julian cedeu, o Lenny cedeu, e todos lutaram muito para voltar e trabalhar para mim”,
elogiou em entrevista ao Cycling Pro Net.
A Lidl-Trek assumiu grande parte da responsabilidade na perseguição durante a fase intermédia da etapa, mantendo a fuga sob controlo antes de a UAE Team Emirates - XRG endurecer o ritmo na aproximação ao Plateau de Solaison. Apesar de não ter alcançado a vitória, Ayuso mostrou-se orgulhoso da exibição coletiva,
que valeu no final uma vitória na classificação por equipas.
“Estou muito orgulhoso da forma como a equipa correu. Acho que fomos a equipa mais forte. Controlámos tudo sem ajuda de ninguém”.
O espanhol fez ainda questão de elogiar o esforço dos colegas, sobretudo aos menos talhados para a alta montanha, que resistiram para continuarem a trabalhar em seu benefício.
“Ver o Toms e o Quinn a passarem estas montanhas, que são super duras, e eu já a sofrer, e eles a puxarem, foi realmente impressionante. Eles mereciam uma vitória. O Quinn conseguiu uma etapa e acho que, terminando no pódio aqui, podemos estar mais ou menos satisfeitos”.
Ayuso reconheceu igualmente que a preparação para esta corrida ficou longe do ideal, mas sublinhou que as sensações melhoraram progressivamente ao longo da semana.
“O caminho até aqui não foi nada fácil. A preparação foi um pouco mais complicada do que eu esperava, por isso terminar no pódio e sentir que todos os dias melhorei, que todos os dias estava melhor, deixa-me feliz”.
O momento decisivo da corrida surgiu quando
Isaac del Toro atacou ainda longe da meta. Depois da ofensiva lançada pelo próprio Ayuso na véspera, desta vez foi o espanhol quem arrancou primeiro, mas ao contrário de ontem, não alcançou e ultrapassou o rival.
“Quando ele foi tão cedo, eu esperava que acontecesse o que se passou ontem, mas ao contrário. Hoje ele estava num nível diferente e temos de aceitar”.
Na fase final da subida,
Mattias Skjelmose pôs de lado as suas ambições e voltou a desempenhar um papel determinante ao preparar o ataque de Ayuso, que voltou a agradecer o trabalho do dinamarquês.
“O Skelly fez um trabalho incrível para mim e tentei mesmo usar toda a força da equipa a meu favor. O Skelly voltou a fazer um grande trabalho, sacrificando-se por mim, e depois ataquei. Mas o Isaac estava num nível diferente. Isto é desporto e é o que é”.
Questionado sobre o nível apresentado por Del Toro, Paul Seixas e pelos restantes candidatos à Volta a França, Ayuso preferiu não entrar em comparações, assegurando que o foco continua a ser exclusivamente a sua preparação.
“Para ser sincero, não me interessa muito. Foco-me em mim, foco-me com os meus companheiros para conseguir a melhor preparação possível”.
O espanhol concluiu a corrida na terceira posição da geral, a 1:17 de Isaac del Toro, com Luke Tuckwell a terminar em segundo. Matteo Jorgenson foi o grande derrotado do dia, ao cair fora do pódio, terminando em 4º. A Lidl-Trek despede-se ainda da prova com o triunfo de Quinn Simmons na quarta etapa e o sexto lugar de Skjelmose na classificação final, resultados que reforçam a confiança da equipa antes do arranque da Volta a França.
Ayuso acredita que o balanço global é positivo e considera que a equipa saiu da prova mais preparada para o grande objetivo de julho.
“Os rapazes correram hoje de forma fantástica. Acho que foi um ótimo exercício para preparar o Tour. Mais uma vez, não estou focado nos meus rivais. Estou focado em mim e em tentar ajudar também os meus companheiros a evoluir. É isso que vamos fazer nas próximas três semanas antes do Tour”.