“Desde Bernard Hinault que nenhum francês domina as corridas como Paul Seixas” – Fenómeno de 19 anos apontado como herdeiro do último vencedor francês do Tour

Ciclismo
sexta-feira, 06 março 2026 a 8:00
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O ciclismo francês esperou décadas por um corredor capaz de redefinir as suas ambições nas Grandes Voltas. Após uma tarde extraordinária nas colinas da Ardèche, há quem acredite que a espera pode, enfim, ter terminado.
O ex-profissional Jérôme Pineau não conteve o entusiasmo ao comentar a mais recente exibição de Paul Seixas, cuja vitória autoritária na Faun-Ardèche Classic reacendeu antigas esperanças num novo campeão francês.
Em declarações ao Super Moscato Show da RMC, Pineau foi ao ponto de situar o jovem de 19 anos num contexto histórico raramente invocado no ciclismo francês moderno.
“Desde Bernard Hinault, nenhum francês tem dominado as corridas como o Paul Seixas começa a fazer. Sobretudo com esta idade”, proclamou Pineau.

Uma exibição que mudou o tom da conversa

A dimensão do triunfo de Seixas na Ardèche explica a intensidade da reação. Atacando de forma decisiva no final, o corredor da Decathlon CMA CGM Team afastou os rivais um a um antes de cortar a meta com quase dois minutos de vantagem sobre um trio perseguidor com Jan Christen, Lenny Martinez e Matteo Jorgenson.
Para Pineau, a impressão deixada foi além das diferenças registadas na estrada.
“Acho que no sábado todos sentimos que tínhamos assistido a algo excecional e histórico”, disse. “Foi a primeira vez que estávamos realmente à espera dele e queríamos ver o que faria contra ‘os outros’, ou seja, corredores fora do patamar Pogacar, Evenepoel e Vingegaard.”
A força da start list apenas reforçou o significado da performance aos seus olhos. “Havia um vencedor da Amstel Gold Race, um bicampeão da Paris-Nice… e ele humilhou-os. Humilhou-os.”
Paul Seixas vence a Faun-Ardèche Classic 2026
Paul Seixas vence a Faun-Ardèche Classic 2026

Um padrão familiar em formação

O que mais impressionou Pineau não foi só o ataque de Seixas, mas a clareza com que o jovem francês o executou.
“Atacou como o Tadej Pogacar. Explicou a sua corrida antes e foi cristalino. Quis fazer aquilo, e fez. Os outros não tiveram hipótese. Foram encostando, um a um.”
A descrição ecoa um padrão já visível no arranque da carreira profissional de Seixas. Do pódio no Campeonato da Europa ao top 10 no Il Lombardia e ao recente segundo lugar geral na Volta ao Algarve, a trajetória tem sido sempre ascendente.
Mesmo em corridas muito além da distância de uma clássica de um dia como a Ardèche, Pineau acredita que Seixas já mostrou que consegue resistir entre os melhores.
“Dizem que é preciso vê-lo em corridas com mais de 260 quilómetros. Mas no ano passado, com apenas 18 anos e meio, o Il Lombardia teve 277 quilómetros e ele foi dos poucos que conseguiu responder ao ataque do Pogacar.”
O mesmo padrão apareceu no UCI Road World Championships em Kigali.
“No Campeonato do Mundo também foi dos únicos a tentar seguir o Pogacar”, acrescentou Pineau. “Nunca vimos isto em França. Nunca o vimos com os nossos próprios olhos no ciclismo moderno.”

A longa espera de França por um candidato ao Tour

Declarações assim conduzem inevitavelmente à pergunta que os adeptos franceses fazem desde a era de Bernard Hinault: poderá um francês voltar a vencer a Volta a França?
O triunfo de Hinault em 1985 continua a ser a última vez que um francês subiu ao topo do pódio do Tour. Vários ameaçaram intrometer-se desde então, mas nenhum dominou como o cinco vezes vencedor o fez.
Para Pineau, Seixas tem os atributos para, pelo menos, entrar nessa conversa. “Agora a questão é no que se vai tornar”, refletiu. “Mas sente-se que está confortável na sua pele, tem uma equipa muito forte, sabe o que quer e lida muito bem com a pressão.”
Essas qualidades, acredita, poderão levá-lo ao patamar mais alto da modalidade. “Vai tornar-se no que está destinado a ser: um dos melhores corredores da sua geração, atrás desses monstros.”

Uma nova geração a ganhar forma

Seixas entra num pelotão ainda moldado por figuras extraordinárias como Tadej Pogacar, Remco Evenepoel, Jonas Vingegaard e Mathieu van der Poel.
Ainda assim, Pineau acredita que a progressão de Seixas o colocará em breve firmemente nessa conversa da elite. “Muito rapidamente, vamos esperar que o Paul Seixas lute pelo pódio e depois pela vitória na Volta a França. É óbvio.”
Num país que se tornou prudente ao proclamar cedo demais o próximo grande campeão, tal confiança é invulgar. O próprio Pineau reconheceu que, em França, há relutância em abraçar previsões ousadas.
“Se ele fosse espanhol ou italiano, provavelmente já se diria ainda mais sobre ele”, afirmou.
Se as expectativas se confirmarão, resta saber. Mas, pela primeira vez em muitos anos, a conversa em torno de um candidato francês ao Tour soa diferente.
E, com apenas 19 anos, Paul Seixas já se colocou no centro dela.
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