O arranque de 2026 de
Tadej Pogacar ficou marcado por uma
quebra de jejum há muito aguardada em Milan-Sanremo, ao conquistar finalmente um Monumento que lhe resistira. O esloveno abriu ainda a época com triunfo na Strade Bianche, prova que tem dominado nas últimas temporadas. Questionado sobre o nível do rival,
Jonas Vingegaard deixou uma resposta ponderada.
“Parece um pouco melhor. É difícil para mim dizer se melhorou mesmo. Teriam de lhe perguntar isso. Não conheço os seus números, por isso não posso afirmar,”
disse Vingegaard à TV 2.A vitória de Pogacar em Sanremo teve peso extra pela natureza da corrida. Depois de várias tentativas falhadas para selecionar na Cipressa e no Poggio em anos anteriores, desta vez conseguiu que o movimento decisivo resultasse e ainda teve ponta final para bater Tom Pidcock ao sprint.
Uma rivalidade definida na Volta a França
Ao longo das últimas cinco temporadas, Pogacar e Vingegaard afirmaram-se como as duas figuras dominantes na
Volta a França. As vitórias foram repartidas nesse período, com Vingegaard a impor-se em 2022 e 2023 antes de Pogacar regressar para vencer as edições seguintes.
As diferenças entre ambos têm sido moldadas, de forma consistente, na montanha e nos contrarrelógios, com os dois a planificarem a época para atingirem o pico de forma em julho.
Caminhos distintos, o mesmo objetivo
Enquanto Pogacar alargou o leque, somando grandes vitórias de um dia, a abordagem de Vingegaard permanece mais contida. O foco não passa por igualar o rival ao longo do calendário, mas por construir a forma para as corridas que mais lhe importam.
“Concentro-me em mim. Não penso se ele está lá ou não. Escolho as corridas em que quero competir e vou para ganhar.”
Essa diferença tornou-se uma das marcas da rivalidade. O programa de Pogacar estende-se ao longo da época, da Strade Bianche a
Milan-Sanremo e objetivos como a Paris-Roubaix, enquanto a temporada de Vingegaard se estrutura em torno das corridas por etapas e do pico para julho.
A distinção não está apenas na escolha de calendário, mas na forma como cada um aborda o ciclismo. As vitórias de Pogacar nascem muitas vezes de ataques sucessivos e da capacidade de moldar corridas em diferentes terrenos. Vingegaard, por contraste, constrói a vantagem no tempo, com consistência e controlo na montanha e no contrarrelógio.
Rivalidade que eleva o nível
Mesmo nesse contraste, Vingegaard reconhece o efeito que Pogacar teve no seu próprio patamar. Competir contra um corredor capaz de vencer em tantos contextos elevou a fasquia necessária para ganhar.
“Claro que tens de trabalhar mais quando tens um rival como o Pogacar, alguém que te obriga a subir o nível para vencer corridas. Tentamos melhorar todos os dias e, para mim, é um grande elogio quando nos comparam com esses craques.”
Essas comparações, com rivalidades como Messi contra Ronaldo ou Ali contra Frazier, refletem a regularidade com que ambos se encontram no topo da modalidade. Os duelos não se definem por uma única época, mas por um período sustentado em que repetidamente estabeleceram a bitola.
O próximo capítulo
O próximo capítulo escreve-se na Volta a França. Pogacar chega depois de finalmente decifrar Milan-Sanremo. Vingegaard, para já, mantém-se imperturbável.