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Milan-Sanremo de sábado não foi apenas espetacular na frente. Mais atrás no pelotão, os corredores viveram a sua própria corrida: quedas, perseguições desesperadas e uma Cipressa que rebentou com toda a gente.
Mike Teunissen, 14º classificado, partilhou o que viu de perto.
Como tantos outros, Teunissen não teve a corrida que esperava.
A queda que envolveu Pogacar, Van Aert e Van der Poel também o apanhou. “Fiquei preso naquela queda, com todos os grandes nomes. Aqui em Sanremo está sempre tudo muito compacto e 99 em 100 vezes corre bem, mas, pois, aquela vez… havia muitos nomes grandes no chão, e isso foi bem marcante”, disse à
IDL Pro Cycling.
O que aconteceu exatamente a Van der Poel nessa queda continua pouco claro, mesmo para quem estava ao lado. “Também não sei exatamente o que se passou. Mas é assim que acontece num pelotão: enroscam-se e vão ao chão”, explicou Teunissen.
Arrancada de Van der Poel deixa-o sem palavras
Após a queda, Teunissen integrou o primeiro grupo perseguidor ao lado de Van der Poel, logo atrás do pelotão. Mas quando começou a Cipressa, o que viu do compatriota foi de outro nível. “Estive a rolar no máximo durante cinco quilómetros - e digo mesmo no máximo - colado à roda daqueles gajos”, disse. E ainda assim Van der Poel simplesmente se afastou, como se estivesse noutro planeta.
“E depois entramos na Cipressa, vamos o mais forte possível, e em menos de um quilómetro ele já fechou aqueles vinte segundos. E está logo na frente: como é que isso é possível?”, disse Teunissen. Acabou por perder a roda de Van der Poel e juntou-se a Wout van Aert e Jorgenson, que conseguiram regressar ao pelotão. “Isso recolocou-o na corrida, o que foi um golpe de sorte”, admitiu.
A partir daí, porém, apanhar o trio da frente era sempre uma missão improvável. “Tudo acontece rápido demais para os deixar voltar. Se ainda houvesse dez quilómetros planos, talvez fosse possível”, explicou Teunissen.
Quanto ao Poggio, teve uma leitura clara do porquê de ninguém ali fazer a diferença. “Especialmente quando o ritmo é tão alto na Cipressa, toda a gente chega ao Poggio de rastos. Na verdade, ninguém é largado ali, exceto os tipos que têm andado a puxar. A Cipressa - é aí que está o problema.”
Um 14º lugar e tirar o chapéu
Teunissen terminou em 14º, envolvido no sprint pelas posições secundárias, longe da luta pelo top-10 que continua a ambicionar. “Este sprint aqui é sempre especial, mas não tive hipótese de o disputar. Ainda espero um dia acabar no top-10 aqui”, afirmou.
Talvez o momento mais revelador da sua corrida tenha sido ver Van der Poel ser alcançado nos metros finais e ainda ter a lucidez para sprintar pelo top-10. “Ainda mais impressionante: o
Mathieu van der Poel é apanhado na reta final, mas ainda tem a presença de espírito para sprintar pelo top-10. Isso é ter caráter”, concluiu Teunissen.