Remco Evenepoel é um corredor emocional e o final da 3ª etapa da
Volta à Catalunha foi um verdadeiro turbilhão. Um ataque surpresa tardio nos abanicos, uma discussão com um
Jonas Vingegaard pouco colaborante e uma queda do nada no último quilómetro marcaram o dia do campeão olímpico. Porém, após uma noite de sono e já alguma recuperação, o corredor da
Red Bull - BORA - Hansgrohe detalhou o que aconteceu.
A etapa até Vila-Seca parecia propícia a ataques cedo ou a uma fuga vencedora, mas depressa ficou claro que um sprint em pelotão decidiria o dia, com o grupo aparentemente controlado. Contudo, assim que os corredores entraram na última secção plana, longe das subidas e descidas que marcaram o percurso, o vento lateral entrou em jogo.
A Red Bull - BORA - Hansgrohe atacou e fracionou rapidamente o pelotão, e depois o próprio Remco Evenepoel arrancou a 28 quilómetros da meta. Foi seguido apenas por Jonas Vingegaard, que inicialmente não colaborou durante vários minutos, gerando grande frustração e visível irritação no belga.
Remco Evenepoel após a queda na 3ª etapa da Volta à Catalunha 2026
“Houve alguma dúvida e eu simplesmente continuei. Vi que o Jonas estava a fechar o espaço, por isso quis ir à meta com ele”, disse Evenepoel esta manhã à
CyclingPro.net. “Tínhamos uma margem bonita para discutir a vitória e sprintar, mas o destino quis outra coisa”.
“Sabíamos de manhã que o vento seria pelas costas nesta estrada, mas também sabíamos que no regresso viria mais de lado. Portanto, ia haver abanicos. A equipa fez tudo na perfeição, primeiro na descida, e depois tratámos da seleção. Foi incrível. Foi exatamente como queríamos fazer”.
Como aconteceu a queda?
Aconteceu tão depressa quanto se pode imaginar.
Evenepoel caiu aparentemente sem obstáculos na estrada, já a poucas centenas de metros da meta e com vários segundos de vantagem sobre o pelotão.
A estrada tramou-o, uma queda “uma em um milhão”. “Quis mudar de andamento para o sprint, mas nesse momento entrei numa valeta grande [na estrada]. Não a vi e não estava claramente visível. Por isso fui por cima do guiador”.
As consequências: muito queimado de asfalto, mas sem fraturas, confirma. “Fizemos exames no hospital, mas tirando alguns problemas nas costas, está tudo bem. Quanto à tática: cada um tem os seus objetivos, e isso é da sua responsabilidade. Só pedi algum resguardo para me poder sentar um pouco, mas isso não aconteceu. Só me dá mais motivação”.
O corte da etapa de hoje, originalmente até Valter 2000 Setcases, dá ao líder da Red Bull - BORA - hansgrohe mais um dia para recuperar das mazelas. O novo final aponta para um dia discutido entre punchers, ainda que o dia tenha quase 3000m de acumulado, mas na sexta-feira e no sábado os corredores deverão ainda viajar até aos Pirenéus.
“Vamos ver. Há lesões importantes, por isso veremos esta noite e amanhã de manhã como tudo reage. Mas, como disse: estou de pé e nada está partido, isso é bom”, concluiu.