O mundo do ciclismo está sempre à procura da próxima grande estrela. Os jovens enfrentam, muitas vezes, enorme pressão para vencer assim que passam a profissionais. Porém, o talento francês
Paul Magnier segue um caminho diferente. Embora muitos o vejam como futuro campeão, o jovem prefere a paciência a expectativas apressadas.
Aproximação lenta, mas consistente
Magnier integra uma nova geração forte de sprinters que inclui nomes como Olav Kooij e Arnaud De Lie. Adeptos e media já o apontam como sucessor natural de superestrelas absolutas como
Mathieu van der Poel e Wout van Aert, apesar da pouca idade. Apesar do entusiasmo, Magnier é muito criterioso no calendário. Na verdade, poderá até abdicar de monumentos como a
Volta à Flandres e
Paris-Roubaix esta época.
“Só quero alinhar quando souber que posso corresponder,” explicou em entrevista à
Wieler Revue. “Isso aplica-se igualmente à Volta a França. Não quero acelerar nada no meu desenvolvimento”.
Magnier percebeu exatamente o trabalho que ainda tem pela frente depois de medir forças com Van der Poel no ano passado. Na
Le Samyn,
o Campeão do Mundo neerlandês bateu Magnier num sprint direto até à meta.
Magnier já venceu duas vezes esta época, ambas no Algarve
“O meu segundo lugar na Le Samyn atrás do Mathieu, no ano passado, abriu-me os olhos nesse aspeto,” admitiu Magnier. “Ali, ele estava noutro planeta em comparação comigo. Mais tarde, aconteceu o mesmo no Renewi Tour”.
Em vez de se sentir derrotado, Magnier usou essa experiência como motivação para continuar a trabalhar duro. “Ainda tenho tempo suficiente para fechar o fosso, mas por agora ele é muito mais forte. Fez-me perceber que não devo saltar etapas no meu desenvolvimento,” notou o jovem francês. “O Mathieu é uma referência para mim, porque tem imensa classe. É o tipo de corredor que quero tornar-me no futuro”.
Números de potência e respeito mútuo
O antigo treinador de Magnier, Roman Vanstaen, confirmou a profunda admiração do corredor por Van der Poel. Recordou uma conversa durante o primeiro estágio em altitude do francês.
“Na primeira vez no estágio em altitude perguntei-lhe pelos ídolos. Ele respondeu: ‘Mathieu van der Poel,’” disse Vanstaen. “O Paul adora a forma atraente de correr e o carisma do Mathieu. Isso atrai os jovens”.
Curiosamente, o respeito é recíproco. Após o duro duelo na Le Samyn, Van der Poel ficou curioso sobre as capacidades físicas do jovem. Segundo Vanstaen, a estrela neerlandesa pediu mesmo a Tim Merlier para saber os dados de potência de Magnier.
“Nesse sprint contra o Mathieu na Le Samyn, o Paul atingiu um pico acima de 1400 watts”, revelou Vanstaen. “Em suma, um bom sprint, mas, ao contrário do Mathieu, já não teve aquela aceleração extra.”
Magnier teve um início de temporada 2026 notável. Estreou-se em janeiro, terminando em segundo na Clássica da Comunidade Valenciana, apenas atrás de Dylan Groenewegen. Seguiu depois para Portugal, onde tem dominado os sprints na Volta ao Algarve, vencendo duas em duas com autoridade.