A vitória a solo de
Remco Evenepoel no
Troféu Serra Tramuntana não foi um golpe oportunista nascido do caos, mas um plano assumido e executado exatamente onde a Red Bull – BORA – hansgrohe pretendia.
O belga desferiu o ataque decisivo no Coll de Soller com 55 quilómetros por cumprir, transformando uma corrida montanhosa seletiva num contrarrelógio prolongado, ao seguir isolado pelo vale e nas subidas finais. Atrás, o pelotão tardou a organizar uma perseguição eficaz, permitindo a Evenepoel ampliar a vantagem para mais de dois minutos antes da ascensão final ao Coll de sa Batalla.
Após a meta, Evenepoel confirmou que o movimento estava delineado muito antes da partida. “Sabíamos que a direção do vento ia ter bastante influência hoje”,
explicou em conversa com a Cycling Pro Net, assinalando que o vale após Soller oferecia vento pelas costas que podia ser explorado. “Tínhamos um plano para arrancar ali, porque toda a gente sabe que no pelotão a subida é bem inclinada no início e, depois, quando se entra no bosque, é muito difícil seguir na roda.”
Essa leitura moldou a abordagem da Red Bull à corrida. Evenepoel disse que o objetivo era endurecer cedo, assumir o controlo na descida e nunca aliviar a pressão. “Queríamos tornar a corrida o mais dura possível o mais cedo possível, também assumir a frente na descida e manter o esforço.”
Uma vez destacado, Evenepoel comprometeu-se totalmente com a longa cavalgada a solo. O troço plano seguinte estendia-se por perto de 30 quilómetros, mas o vento favorável ajudou a chegar à subida final mais cedo do que o previsto. “Felizmente, o vento vinha de trás, por isso chegámos bastante cedo à subida final”, disse. A partir daí, focou-se em impor um ritmo forte na primeira metade do Coll de sa Batalla e depois gerir o esforço até à meta.
“Exatamente como discutimos e planeámos a corrida”
A vitória foi a segunda em dois dias, após o triunfo no contrarrelógio por equipas no Troféu Ses Salines, e reforçou a sensação de que a sua mudança para a Red Bull – BORA – hansgrohe arrancou sem sobressaltos. Sublinhou que o mais gratificante na Serra Tramuntana não foi apenas o resultado, mas a fidelidade ao plano traçado de manhã.
“No geral, foi exatamente como discutimos e planeámos a corrida esta manhã”, disse. “Estou feliz por conseguir concluí-la desta forma.”
Vencer tão cedo na época tem peso extra para Evenepoel depois de meses de preparação de inverno. Admitiu que abrir a conta na estrada rapidamente traz confiança física e mental. “Treina-se alguns meses para conquistar uma vitória”, disse. “Gosto mesmo de ganhar cedo na temporada para me sentir bem ao longo do ano.”
Reconheceu também que já tinha passado algum tempo desde o seu último triunfo em estrada, tornando o resultado na Serra Tramuntana um reinício importante. “Demorou algum tempo até voltar a ganhar”, acrescentou. “Estou feliz por poder abrir a minha conta com a nova equipa bastante cedo.”
Para Evenepoel, a vitória não foi apresentada como recado aos rivais, mas como confirmação de que o trabalho feito no inverno já se traduz em execução vencedora. “Mostra que fizemos um bom trabalho no inverno”, disse, “e que, para já, tudo está a ir na direção certa.”
Num traçado exigente em Maiorca, com múltiplas subidas e uma longa investida a solo, Evenepoel deixou poucas dúvidas sobre a forma e a confiança. Dois dias, dois triunfos, dois testes muito diferentes e uma estreia com a Red Bull que dificilmente poderia ter começado melhor.