A decisão da ASO de
atribuir um wildcard para a Volta a França 2026 à Caja Rural em vez da Unibet ROSE Rockets foi classificada como um sério erro desportivo, com o especialista dinamarquês Emil Axelgaard a defender que a escolha não se sustenta em critérios de rendimento.
Em declarações à TV2, Axelgaard descreveu a atribuição de convites como uma “surpresa gigantesca”, sobretudo tendo em conta a forte aposta desportiva da Unibet para 2026 e a concorrência relativamente limitada pelos lugares discricionários este ano.
“Não pode ser justificada do ponto de vista desportivo”, disse Axelgaard, depois de a ASO confirmar a Caja Rural como uma das equipas convidadas, deixando a Unibet de fora.
A decisão saltou à vista no contexto mais amplo do alinhamento confirmado para o Tour. Com as vagas automáticas para as WorldTeams fixas e as ProTeams melhor classificadas já asseguradas, à ASO restou um número reduzido de convites discricionários. Esses lugares acabaram por ir para equipas tradicionais e estabelecidas, em detrimento do projeto reforçado da Unibet.
Axelgaard questiona a lógica desportiva da decisão da ASO
Axelgaard deixou claro que esperava ver a
Unibet ROSE Rockets selecionada quase por defeito este ano, apontando tanto à força do plantel como ao posicionamento estrutural.
“Via como praticamente certa a escolha da Unibet este ano, quando há muito pouca concorrência pelos lugares”, afirmou. “A equipa obteve inclusive licença francesa e elevou claramente a fasquia para a próxima época, com nomes como Groenewegen, Poels e até um herói francês como Lafay.”
A campanha de contratações de inverno da Unibet trouxe vencedores de etapas no Tour e protagonistas habituais nas Grandes Voltas, ao mesmo tempo que aproximou a equipa da identidade francesa da
Volta a França através da mudança de licença. Do ponto de vista de Axelgaard, essa combinação deveria pesar de forma decisiva na atribuição dos convites.
“Desportivamente, têm muito mais para oferecer do que a Caja Rural”, acrescentou, sublinhando as boas exibições da Unibet no início de época em Espanha como prova adicional de prontidão competitiva.
Princípio acima de performance no critério de wildcards da ASO
Segundo Axelgaard, a decisão da ASO parece assentar menos no valor desportivo imediato e mais em princípios organizativos de longo prazo. Sugeriu que os organizadores do Tour preferem avaliar primeiro as equipas em corridas como a Paris–Nice ou o Critérium du Dauphiné antes de lhes abrir a porta da
Volta a França.
Essa abordagem beneficiou a Caja Rural, já testada pela ASO em épocas recentes, enquanto a Unibet permanece relativamente nova no patamar mais alto, apesar da progressão rápida. O Grand Départ espanhol de 2026 poderá também ter desempenhado um papel subtil, reforçando a atratividade geográfica da Caja Rural, mesmo com a Unibet a operar agora sob licença francesa.
Ainda assim, Axelgaard defendeu que esses fatores não devem sobrepor-se ao que se mostra na estrada.
“Vejo isto como um grande erro do ponto de vista desportivo”, afirmou. “A Caja Rural simplesmente não consegue oferecer o que a Unibet pode.”
Diferença de profundidade entre as duas equipas
Axelgaard apontou diretamente à profundidade do bloco da Unibet para explicar porque considera a decisão do wildcard insuficiente. Destacou sinais de renascimento de Dylan Groenewegen, a evolução acelerada de Lukas Kubis e o encorajador regresso à forma de Victor Lafay após lesão.
Em contraste, reconheceu que a Caja Rural deixou bons indicadores na Volta a Espanha, com ciclistas como Abel Balderstone e Jaume Guardeno a darem um passo em frente. Porém, questionou se essas prestações se traduzirão nas exigências da
Volta a França.
“Tiveram um pequeno salto na Vuelta, mas ficarão aquém no Tour”, disse Axelgaard. “Não pode ser justificado do ponto de vista desportivo.”
Uma decisão que continuará a ser debatida
Com a
Unibet ROSE Rockets a investir forte no projeto desportivo e a posicionar-se claramente com a
Volta a França em mente, a ausência na edição de 2026 promete marcar a temporada.
A análise de Axelgaard vai ao essencial do debate. Enquanto a filosofia de wildcards da ASO pode privilegiar continuidade e progressão controlada, os críticos argumentam que o Tour corre o risco de afastar equipas capazes de oferecer maior impacto desportivo em favor de escolhas mais seguras e familiares.
Por agora, a decisão da ASO mantém-se. Mas, com a Unibet a continuar a render e a Caja Rural a preparar-se para o maior palco do ciclismo, a questão sobre se este wildcard é realmente defensável dificilmente desaparecerá.