A temporada de 2026 está prestes a começar. Mais precisamente, arranca dentro de menos de duas semanas, com a primeira etapa do Tour Down Under marcada para terça-feira, 20/01/2026. A corrida australiana do WorldTour é crucial para a
Team Jayco AlUla, equipa da casa, e, por isso, também para
Ben O'Connor, a principal estrela do país. Ali espera começar a compensar um 2025 muito difícil, em que, apesar da vitória de etapa na Volta a França, ficou aquém das expectativas criadas em 2024.
À beira de uma nova época, Ben O’Connor entra em 2026 com uma ideia clara: precisa de regressar ao nível mostrado em 2024 e, sobretudo, reencontrar a mentalidade que o guiou então. Não adoça o discurso, não passa um pano sobre 2025 e não esconde a frustração
em entrevista ao CyclingNews.
“Não é preciso adoçar”, diz, ao comparar 2025 com o seu excepcional 2024. “Certamente não foi a mesma coisa, isso é muito claro”.
A temporada de 2024 fora notável para O'Connor:
segundo na Volta a Espanha, com triunfo de etapa, e medalha de prata no Campeonato do Mundo, em Zurique, apenas atrás de Tadej Pogačar. Em 2025, quase nada saiu como previsto.
Uma etapa não bastou para salvar o ano
Ben O'Connor assinou a sua vitória de maior destaque da época na Volta a França de 2025
A vitória na etapa 18 da Volta a França foi o seu único grande sucesso do ano. Uma queda arruinou as ambições de geral ainda antes do fim da etapa 1. Terminou o Tour em 11º, longe da projeção. E a Vuelta também acabou cedo para O'Connor devido a outra queda.
Olhando para trás, resgata um ponto positivo: “A vitória de etapa no Tour foi o momento que me lembrou que, quando as coisas correm mal, ainda se pode virar uma corrida”.
Mas a raiz do problema vinha de bem atrás no ano
Um problema de saúde prolongado marcou a primeira metade da época. Carregou-o por demasiado tempo. E foi aí que começou a autocrítica. “[A doença] arrastou-se durante muito tempo e só a ultrapassei praticamente na Volta à Suiça”, explica. Reconhece que errou ao resistir a uma paragem: “É surpreendente como a falta de alguma flexibilidade te pode deitar abaixo”. Resume o seu ano numa palavra: “irritante”.
E admite uma tendência perigosa: tentar resolver tudo forçando mais. “Às vezes é melhor simplesmente afastar, deixar o corpo resetar e depois voltar”.
Saber que tinha o nível e que este nunca apareceu por completo deixou-o exasperado: “Gostava de voltar ao mesmo nível [de 2024], sei que o tenho. Simplesmente não aconteceu… e isso é o mais frustrante. Não dá para copiar e colar”.
A ira como combustível
O’Connor não esconde o abalo emocional de 2025. “Fiquei furioso. É realmente deprimente”, admite. “Ficas zangado quando as coisas se complicam sem culpa tua… sabendo que ainda podes render, que a estrutura estava lá, e simplesmente a desperdiças”.
Com o sonho da geral desfeito, mudou o chip no Tour e passou a caçar fugas. “É de longe a forma mais divertida de correr o Tour”, diz. Lutar pela geral, acrescenta, “é na verdade um frete” porque “é fantástico… até deixar de o ser”.
Por isso, quando fala agora de expectativas e abordagem, resume assim: “Atacar as coisas com unhas e dentes, e estar simplesmente zangado”.