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Paris-Roubaix não é corrida para fracos e, com as fichas todas em jogo, as equipas correm muitas vezes pelo resultado e não pelo respeito.
Mikkel Bjerg, da
UAE Team Emirates - XRG, mostrou-se bastante desagradado depois de a Team Visma | Lease a Bike e a Alpecin-Premier Tech terem aumentado o ritmo após o azar mecânico de
Tadej Pogacar.
A UAE tinha um plano sólido e Bjerg foi dos que trabalharam cedo para desgastar os rivais do esloveno. Mas, a 120 quilómetros do fim, tudo mudou. Pogacar teve de trocar de bicicleta e recorreu durante vários minutos a uma bike do serviço neutro antes de voltar à sua.
Enquanto António Morgado se juntou rapidamente na perseguição, demorou até outros colegas chegarem. Mikkel Bjerg, que seguia no pelotão, revelou que não havia rádio de equipa e que os companheiros de Pogacar não sabiam onde estava o seu líder.
“Falei com o Nils [Politt] e não consegui apanhar ninguém no rádio. Foi um pouco caótico. A decisão de parar foi do Nils”, disse Bjerg à
TV2. “E foi a decisão certa. Às vezes tem-se a sorte de poder ir atrás do carro, mas quando se corre com a camisola de Campeão do Mundo não há ajudas. Mas é o que é”.
Bjerg amargo com a atitude dos rivais
Florian Vermeersch ficou no pelotão pela sua importância no alinhamento (
embora tenha caído e abandonado pouco depois) e pela incerteza do momento, enquanto Bjerg e Politt ajudaram brevemente na perseguição. Porém, não conseguiram fechar o espaço, e Pogacar também não, em pouco tempo. O pelotão não levantou o pé um milímetro.
“Fico um bocado amargo com a situação. Quando a Visma e a Alpecin se põem a puxar logo que o Tadej fura, também se pensa que estão a jogar pequeno”, atirou Bjerg. “Bem, eu era quem estava a comandar quando aconteceu, não passou um segundo até me ultrapassarem. Não foi do tipo ‘oh meu, o que é que se passa?’. Mas também pode ser que eu seja só um mau perdedor”.
É uma declaração passivo-agressiva do dinamarquês, mas não desprovida de razão. Pogacar era talvez o mais forte à partida e, no caos da corrida, as equipas de Mathieu van der Poel e Wout Van Aert tiveram a oportunidade de aumentar muito as suas hipóteses de vencer o Monumento.
Mas é algo que Bjerg, que já não voltaria à dianteira da corrida, não esqueceu. “Não, eles também têm de manter aquilo a andar. É uma boa situação para eles, o grupo está dividido. É só uma pena, odeio perder”, admitiu.
“Queria terminar bem e fico contente por ele (Pogacar) ter sido segundo. É sempre bom levar algo para casa, mas não é para isso que cá estamos”.
Bjerg a trabalhar para Tadej Pogacar antes de o caos se instalar