“Há um patamar onde ele está, depois um patamar intermédio e, depois, o resto de nós”: Mikel Landa tece rasgados elogios a Tadej Pogacar

Ciclismo
quarta-feira, 25 março 2026 a 11:00
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O regresso de Mikel Landa à competição na Volta à Catalunha assinala o início da sua 17ª temporada profissional, uma fase em que o corredor da Soudal - Quick-Step aborda a modalidade com outra perspetiva, em linha com a evolução do ciclismo.
Antes de abrir o calendário, o basco refletiu, numa entrevista ao MARCA, sobre como a hierarquia no pelotão WorldTour se alterou, apontando diretamente Tadej Pogacar como a referência atual. “Ele está noutro nível. Há um patamar onde está ele, depois um patamar intermédio e, depois, o resto de nós”, resumiu Landa, traçando a atual hierarquia do pelotão.
Longe de ser uma rendição, esta avaliação traduz um reajuste de objetivos. Landa admite que é cada vez mais difícil lutar pelos primeiros lugares da geral, pelo que agora prioriza vitórias de etapa sem perder de vista um bom conjunto, mas sem a pressão constante do pódio. “Está cada vez mais difícil, por isso prefiro focar-me mais em lutar por uma etapa e continuar presente na geral, talvez sem essa obsessão pelo pódio”, sublinhou.
Começar a época na Catalunha não altera a motivação. O corredor insiste que encara o ano com a mesma intenção de sempre: desfrutar de correr e aproveitar cada oportunidade. “Não há nada em particular que torne esta temporada especial, mas espero desfrutá-la como todas as outras, divertir-me e tirar o máximo de cada momento”, disse.
A Volta à Catalunha junta protagonistas de primeira linha como Jonas Vingegaard, Remco Evenepoel e João Almeida, elevando a fasquia competitiva num ponto do calendário em que já não basta somar ritmo de corrida.
Mikel Landa concentrado antes da partida
Mikel Landa concentrado antes da partida
“Só ganhar ritmo de corrida já não chega; estamos em março e é preciso agarrar as oportunidades que surgem. Há rivais muito fortes, por isso vencer será difícil, mas vamos tentar estar lá”, comentou.
Ao longo da carreira, o corredor teve de adaptar-se às mudanças constantes do ciclismo. Ferramentas como o controlo de potência fazem parte da rotina desde que é profissional, enquanto tendências mais recentes se revelaram mais exigentes. “A potência acompanha-me desde que me tornei profissional, por isso estou habituado. Mas tendências mais novas, como o treino no calor, custam-me mais. Ainda assim, adaptei-me o melhor que pude”, reconheceu.

A chave da longevidade

Para Landa, manter-se no topo durante tantos anos resume-se a sacrifício e recuperação. Acredita que o rendimento no ciclismo depende em grande parte da recuperação diária, tanto para atingir o pico de forma como para ultrapassar momentos difíceis. “Muito sacrifício e capacidade de recuperação. O nosso rendimento baseia-se em recuperar todos os dias, seja para chegar ao mais alto nível, seja para regressar após uma lesão”, explicou.
Olhando em frente, o corredor não estabelece limites rígidos. Não sabe se esta será a sua última época, mas, para já, tenciona continuar a competir, deixando qualquer decisão definitiva para mais tarde.
“Não sei se será o meu último ano. Na minha cabeça quero continuar. Veremos durante a temporada se é aqui ou noutro lado, como e em que condições, mas, neste momento, a minha ideia é seguir”, concluiu.
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