João Almeida apresentou-se confiante e ambicioso na antevisão da temporada de 2026. Depois de um ano de 2025 marcado por resultados de grande nível, o corredor português quer dar continuidade ao percurso ascendente e acredita que ainda há margem para evoluir. J
á tínhamos divulgado algumas declarações do português no dia de hoje e agora completamos a página, onde abordou temas como António Morgado, Juan Ayuso e a
Volta ao Algarve,
em citações recolhidas pelo Jornal A Bola.
O ciclista de 27 anos fez o balanço da época passada numa conferência de imprensa aos meios de comunicação social portugueses, sem esconder o orgulho pelo que alcançou.
"Sem dúvida que foi a minha melhor [temporada] de sempre. Muitas vitórias, vitórias com grande valor em corridas de um mais alto nível. Obviamente vai ser sempre difícil superar ano após ano, mas estamos aqui mais um ano e vamos tentar superar a temporada anterior. A única coisa que poderia ter corrido melhor foi a queda no Tour, que foi um momento de azar, mas faz parte do ciclismo, as coisas não vão correr sempre como nós gostaríamos que corressem, faz parte do caminho, mas sinceramente acho que foi uma temporada ideal", avaliou.
Almeida terminou 2025 no 4º lugar do ranking UCI
A preparação para o novo ano decorre sem sobressaltos, algo que considera determinante para abordar os primeiros objetivos com tranquilidade.
"Tem sido bastante bom, tenho-me sentido bastante bem, sem percalços, sem azares, portanto acho que sinto-me bastante bem fisicamente. Tenho-me esforçado bastante para estar numa condição física melhor que o ano passado, o que não é fácil, mas estou optimista e confiante para começar a temporada. Vou tendo mais experiência, mais confiança em mim mesmo. Ano após ano vamos sempre melhorando e essa bagagem de experiência ajuda bastante a tomar decisões na corrida que acabam por ser um bocadinho inconscientes às vezes e acho que me favorece a mim e também a todos os que têm experiência".
O arranque competitivo acontecerá antes da
Volta ao Algarve, com a Volta à Comunidade Valenciana a servir de primeiro teste.
«Vou começar antes [da
Volta ao Algarve], na Volta a Valência. Esperemos encontrar boas pernas, já que o objetivo é ganhar a corrida, disputar a corrida, para entrar no Algarve com um bocadinho de ritmo de competição e não ser um choque tão grande, porque a Volta ao Algarve é uma corrida muito exigente e para vencer num pelotão precisamos de muita força. Inicialmente o plano era fazer outra Volta, mas depois de discutir com a equipa chegámos à conclusão que eu preferia fazer o Giro e a equipa concordou e mudámos isso. Pessoalmente faz sentido voltar ao Giro, também mudar um pouco o calendário, e acho que é uma boa oportunidade para tentar ganhar a corrida e, se não ganhar, estar o mais perto possível".
Duelo anunciado com Vingegaard
O duelo com
Jonas Vingegaard no Giro não passa despercebido, mas
João Almeida encara o desafio com naturalidade e motivação.
"Obviamente que as corridas que não ganhamos gostamos sempre de conseguir ganhar. Tenho uma história bonita com o Giro, mas no fundo é só mais uma corrida e vamos lá com o objetivo de dar o nosso melhor e esperemos sair por cima dos outros. Obviamente que enquanto não houvesse confirmações podíamos sempre especular [sobre a concorrência], mas é uma coisa boa, acaba por me favorecer. Vou ter um adversário muito forte, mas também acaba por me motivar e dar mais de mim".
A comparação com o dinamarquês surge de forma direta:
"Somos corredores similares. Até à data de hoje é um corredor que podemos dizer mais forte, como o palmarés também é muito superior ao meu. Já ganhou a Volta à França mais do que uma vez, mas ninguém é imbatível. O Giro é uma corrida um bocadinho mais aberta, há sempre fatores mais inesperados como o tempo".
Recordando a experiência de já ter vestido a camisola rosa,
João Almeida sublinha o crescimento pessoal desde então:
«O que mudou? Estou mais velho [risos]! Tenho uma bagagem de experiência muito maior. No primeiro Giro não sabia para o que ia. Agora, quando vou para uma Grande Volta, já sei o que vou encontrar e tenho outra preparação mental".
Depois do que fez na temporada transata, o rótulo de favorito passou a ser mais vezes aplicado ao ciclista de A-dos-Francos, Almeida desvaloriza: "Favoritismo? Passa-me um bocadinho ao lado. Não quero ficar como uma promessa, quero ganhar uma de verdade. Mostra que os adversários me têm em conta, mas ser favorito e ganhar são coisas diferentes".
Relação com Pogacar e saída de Ayuso
Sobre a decisão de não alinhar ao lado de
Tadej Pogacar no próximo Tour, o português garante que a reação foi serena:
"Normal. Acredito que tenha ficado ligeiramente triste por eu não ir, mas também não o vai afetar muito. Não acho que eu seja fundamental para ele vencer o Tour. Ambos gostamos de correr um com o outro, mas eu pedi para ir ao Giro. Foi uma atitude da equipa a pensar em mim, a dar-me liberdade e a mostrar confiança de que posso lutar pela vitória".
Quanto à hierarquia das grandes voltas:
"Giro ou Vuelta? Em termos de planificação têm a mesma importância. Pessoalmente, o Giro, em termos de atenção mediática e de valor no ciclismo, é se calhar um bocadinho superior. Ganhar uma Grande Volta seria um objetivo de carreira e vou dar o meu melhor para isso acontecer".
Abordou também uma eventual presença de Pogacar na Vuelta, algo que tem sido falado há vários anos, mas tem acabado por não ocorrer, muito por força da preparação para o Campeonato do Mundo:
"Pogacar na Vuelta? A participação dele só é confirmada depois do Tour. Depende de como ele estiver, se está cansado ou não, e ele tem a camisola de campeão do mundo para defender. Se ele for, é o líder principal, isso é indiscutível. Mas é um corredor com quem gosto de correr e, se ele tiver oportunidade de me dar uma vitória, não hesitaria".
No Giro contará com o apoio de António Morgado, compatriota que vê como um talento especial: "Pode ajudar-me em todo o tipo de terreno. É muito jovem e tem muito para aprender, mas é muito forte. Vejo-o a discutir corridas de uma semana no futuro e, nas clássicas, ele também é muito bom. Tem um potencial brilhante".
A saída de Juan Ayuso também simplificou o seu enquadramento dentro da estrutura, "Sim, acaba por ser menos um líder para adaptar o calendário, o que liberta espaço. Facilita a vida em termos de escolher as corridas que eu quero discutir e participar".
Juan Ayuso sempre insistiu que tem uma boa relação com João Almeida. @Sirotti
Sonho português na Volta ao Algarve
Entre os objetivos pessoais está a conquista da principal prova por etapas realizada em Portugal.
"Sim, possivelmente, sendo português, seria uma honra. No ano passado estive perto e não consegui. É a corrida em Portugal com o mais alto nível e vou tentar vencê-la. O percurso foi divulgado tarde. Sei que subimos a Fóia por um lado ligeiramente diferente. A etapa do Malhão continua a ser das mais importantes, se não a mais importante. A Fóia às vezes é um bocadinho sobrevalorizada porque acaba por não ser tão dura. É uma corrida que gosto sempre de fazer".
O apoio do público nacional é visto como um fator decisivo:
"Faz claramente a diferença. Correr em casa dá sempre uma força extra e isso sente-se, tanto na
Volta ao Algarve como nas outras corridas em casa. Temos sempre uma força extra e o apoio dos adeptos faz toda a diferença. Não só na corrida, mas também a treinar. Promessa? É como sempre, uma mensagem de agradecimento por irem para a estrada, faça sol, faça chuva, e a promessa de que vou dar sempre o meu melhor".