A conquista na Suíça foi construída com paciência e consistência. Tudo começou da pior forma, com o português a perder mais de três minutos logo na etapa inaugural. Nessa altura, a camisola amarela parecia fora de alcance. Mas Almeida nunca baixou os braços. Recuperou tempo em 5 etapas e selou a vitória com um desempenho sólido no contrarrelógio final, ultrapassando Kevin Vauquelin na geral.
No final da etapa, Almeida mostrou-se ainda a digerir o que acabara de alcançar.
"Fiz uma subida muito boa, estava a sentir-me muito bem," começou por dizer. "Por momentos, pensei que o meu medidor de potência não estava calibrado porque estava a mostrar números mais altos. Por isso, sim, estou super feliz, de facto".
Almeida juntou a Volta à Suíça à Volta ao País Basco e Volta à Romandia, contabilizando 22 vitórias profissionais
Recordando o início da prova, o português revelou a importância da estratégia coletiva.
"Era um grande plano desde o primeiro dia, quando perdi três minutos. Mas a equipa foi fantástica, fizemos um trabalho perfeito, lutámos pela vitória. Nunca desistimos, acreditámos sempre e, no final, conseguimos", explicou.
Sobre o esforço final, admitiu um início demasiado agressivo, que, terá sido essencial para marcar posição.
"Hoje, acho que comecei um pouco depressa demais, para ser honesto. Excedi-me um pouco no início. No final, não tinha mais gás no último quilómetro. Mas acho que foi suficiente, não era necessário. Por isso, sim, estou muito feliz".
Com mais uma vitória no bolso, Almeida vira agora atenções para a Volta a França, onde desempenhará papel fundamental na estratégia da equipa.
"Esta Volta à Suíça é como uma lição. Nunca se deve desistir. Por vezes as coisas correm mal, por vezes nada é perfeito, só temos de continuar a tentar. E sim, continuámos a tentar e conseguimos", disse.
"Tenho muito tempo para desfrutar desta corrida. E depois estou pronto para a Volta a França para apoiar o Tadej e espero que possamos conseguir mais vitórias lá".
Miguel Marques é editor e redator do CiclismoAtual, onde cobre o ciclismo profissional internacional com forte foco em análise competitiva, estratégia de corrida e o calendário do UCI WorldTour. Desde que se juntou à plataforma em novembro de 2024, escreveu milhares de artigos, contribuindo com antevisões diárias das corridas, resumos pós-etapa, análises táticas e análises aprofundadas das equipas e ciclistas do pelotão profissional.
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Miguel é licenciado em Ciência e Tecnologia Animal e está atualmente a concluir um mestrado em Engenharia Zootécnica. A sua formação académica em metodologia científica e análise crítica influencia uma abordagem estruturada e baseada em evidências ao jornalismo desportivo, com forte ênfase na verificação de fontes e precisão factual.
O seu envolvimento com o ciclismo começou em 2014, durante a vitória de Vincenzo Nibali no Tour de France, o que despertou um interesse sustentado e profundo pelo desporto. Desde então, tem acompanhado de perto a evolução das equipas, dos ciclistas e dos desenvolvimentos táticos nas competições do WorldTour e de nível de desenvolvimento, construindo uma experiência consistente na dinâmica do ciclismo profissional moderno.
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