João Almeida fala do Giro, de Vingegaard e da ambição para a nova temporada

Ciclismo
terça-feira, 27 janeiro 2026 a 13:07
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João Almeida inicia 2026 com ambição renovada e sem esconder a vontade de voltar a elevar o patamar competitivo, depois de uma temporada de 2025 que classificou como a melhor da sua carreira. O ciclista português falou numa conferência de imprensa de antevisão à nova época, mostrou-se motivado para regressar à competição e assumiu que quer manter o nível alcançado, ou até superá-lo.

O que esperar de 2026?

«Sem dúvida que foi a minha melhor [temporada] de sempre. Muitas vitórias, vitórias com grande valor em corridas de um mais alto nível. Obviamente vai ser sempre difícil superar ano após ano, mas estamos aqui mais um ano e vamos tentar superar a temporada anterior. A única coisa que poderia ter corrido melhor foi a queda no Tour, que foi um momento de azar, mas faz parte do ciclismo, as coisas não vão correr sempre como nós gostaríamos que corressem, faz parte do caminho, mas sinceramente acho que foi uma temporada ideal», começou por afirmar o ciclista de 27 anos, ao fazer o balanço da preparação para o jornal A Bola.
«Tem sido bastante bom, tenho-me sentido bastante bem, sem percalços, sem azares, portanto acho que sinto-me bastante bem fisicamente. Tenho-me esforçado bastante para estar numa condição física melhor que o ano passado, o que não é fácil, mas estou optimista e confiante para começar a temporada. Vou tendo mais experiência, mais confiança em mim mesmo. Ano após ano vamos sempre melhorando e essa bagagem de experiência ajuda bastante a tomar decisões na corrida que acabam por ser um bocadinho inconscientes às vezes e acho que me favorece a mim e também a todos os que têm experiência», acrescentou, antes de explicar as primeiras corridas do calendário.
«Vou começar antes [da Volta ao Algarve], na Volta a Valência. Esperemos encontrar boas pernas, já que o objetivo é ganhar a corrida, disputar a corrida, para entrar no Algarve com um bocadinho de ritmo de competição e não ser um choque tão grande, porque a Volta ao Algarve é uma corrida muito exigente e para vencer num pelotão precisamos de muita força. Inicialmente o plano era fazer outra Volta, mas depois de discutir com a equipa chegámos à conclusão que eu preferia fazer o Giro e a equipa concordou e mudámos isso. Pessoalmente faz sentido voltar ao Giro, também mudar um pouco o calendário, e acho que é uma boa oportunidade para tentar ganhar a corrida e, se não ganhar, estar o mais perto possível», explicou, já a pensar na Volta a Itália de 2026.
A possível presença de Jonas Vingegaard promete tornar a luta pela classificação geral ainda mais exigente, algo que João Almeida encara como um desafio motivador.
«Obviamente que as corridas que não ganhamos gostamos sempre de conseguir ganhar. Tenho uma história bonita com o Giro, mas no fundo é só mais uma corrida e vamos lá com o objetivo de dar o nosso melhor e esperemos sair por cima dos outros. Obviamente que enquanto não houvesse confirmações podíamos sempre especular [sobre a concorrência], mas é uma coisa boa, acaba por me favorecer. Vou ter um adversário muito forte, mas também acaba por me motivar e dar mais de mim», sublinhou.
João Almeida venceu a Volta à Romandia 2025
João Almeida venceu a Volta à Romandia 2025
«Somos corredores similares. Até à data de hoje é um corredor que podemos dizer mais forte, como o palmarés também é muito superior ao meu. Já ganhou a Volta a França mais do que uma vez, mas ninguém é imbatível. O Giro é uma corrida um bocadinho mais aberta, há sempre fatores mais inesperados como o tempo», acrescentou, recordando também a experiência de já ter vestido a Camisola Rosa.

Vingegaard é o grande rival no Giro

Depois de ter sido o principal adversário de João Almeida na Volta a Espanha 2025, Vingegaard surge agora como o grande nome a bater na Volta a Itália de 2026, numa rivalidade que promete marcar a temporada.
«O que mudou? Estou mais velho [risos]! Tenho uma bagagem de experiência muito maior. No primeiro Giro não sabia para o que ia. Agora, quando vou para uma Grande Volta, já sei o que vou encontrar e tenho outra preparação mental. Favoritismo? Passa-me um bocadinho ao lado. Não quero ficar como uma promessa, quero ganhar uma de verdade. Mostra que os adversários me têm em conta, mas ser favorito e ganhar são coisas diferentes», afirmou.
A gestão interna da equipa da Emirates e a relação com Tadej Pogacar também estiveram em destaque. Questionado sobre a reação do esloveno por não o acompanhar na Volta a França, João Almeida garantiu que tudo foi encarado com naturalidade.
«Nomal. Acredito que tenha ficado ligeiramente triste por eu não ir, mas também não o vai afetar muito. Não acho que eu seja fundamental para ele vencer o Tour. Ambos gostamos de correr um com o outro, mas eu pedi para ir ao Giro. Foi uma atitude da equipa a pensar em mim, a dar-me liberdade e a mostrar confiança de que posso lutar pela vitória», explicou. «Giro ou Vuelta? Em termos de planificação têm a mesma importância. Pessoalmente, o Giro, em termos de atenção mediática e de valor no ciclismo, é se calhar um bocadinho superior. Ganhar uma Grande Volta seria um objetivo de carreira e vou dar o meu melhor para isso acontecer», acrescentou.
«Pogacar na Vuelta? A participação dele só é confirmada depois do Tour. Depende de como ele estiver, se está cansado ou não, e ele tem a camisola de campeão do mundo para defender. Se ele for, é o líder principal, isso é indiscutível. Mas é um corredor com quem gosto de correr e, se ele tiver oportunidade de me dar uma vitória, não hesitaria», afirmou.
Ao longo da última época, João Almeida voltou a mostrar disponibilidade total para trabalhar para a equipa, como ficou evidente no Alto da Fóia, na 2.ª etapa da Volta ao Algarve 2025, quando lançou Jan Christen para a vitória.

Morgado fará a sua primeira Grande Volta em Itália

Para a Volta a Itália, contará ainda com o apoio do compatriota António Morgado, a quem reconhece grande margem de progressão.
«Pode ajudar-me em todo o tipo de terreno. É muito jovem e tem muito para aprender, mas é muito forte. Vejo-o a discutir provas de uma semana no futuro e, nas Clássicas, ele também é muito bom. Tem um potencial brilhante», afirmou.
A saída de Juan Ayuso da estrutura acabou por clarificar o quadro de liderança, algo que João Almeida admite facilitar a gestão da época.
«Sim, acaba por ser menos um líder para adaptar o calendário, o que liberta espaço. Facilita a vida em termos de escolher as corridas que eu quero discutir e participar», explicou.
Antes de pensar nas grandes montanhas italianas, um dos primeiros grandes objetivos passa pela Volta ao Algarve, que decorre entre 18 e 22 de fevereiro.
«Sim, possivelmente, sendo português, seria uma honra. No ano passado estive perto e não consegui. É a corrida em Portugal com o mais alto nível e vou tentar vencê-la. O percurso foi divulgado tarde. Sei que subimos a Fóia por um lado ligeiramente diferente. A etapa do Malhão continua a ser das mais importantes, se não a mais importante. A Fóia às vezes é um bocadinho sobrevalorizada porque acaba por não ser tão dura. É uma corrida que gosto sempre de fazer», analisou.
A edição deste ano apresenta algumas novidades no percurso, mantendo o Malhão como ponto decisivo para a classificação geral.
«Faz claramente a diferença. Correr em casa dá sempre uma força extra e isso sente-se, tanto na Volta ao Algarve como nas outras corridas em casa. Temos sempre uma força extra e o apoio dos adeptos faz toda a diferença. Não só na corrida, mas também a treinar. Promessa? É como sempre, uma mensagem de agradecimento por irem para a estrada, faça sol, faça chuva, e a promessa de que vou dar sempre o meu melhor», concluiu.
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