A vitória de Tadej Pogacar na Milan-Sanremo voltou a mudar a conversa sobre a sua carreira, com o antigo campeão britânico
Adam Blythe a defender que o esloveno está agora à distância de um passo de algo que, no ciclismo moderno, parecia inalcançável.
Depois de finalmente acrescentar La Primavera ao seu palmarés, Pogacar removeu uma das últimas lacunas percebidas no seu repertório, relançando o debate sobre até onde pode estender-se a sua dominância.
Uma exibição que se destacou
A reação de Blythe na TNT Sports centrou-se não só no resultado, mas na forma como Pogacar o conquistou. Envolvido numa queda antes da Cipressa, foi forçado momentaneamente a recuar num ponto decisivo da corrida.
O que se seguiu foi uma reviravolta fulminante. Recuperadas as posições, Pogacar ajudou a levar a prova à sua fase crítica antes de lançar os ataques que acabariam por o isolar com Tom Pidcock. “Ele é um animal. Já vimos Pogacar no seu melhor em tantas corridas, mas hoje foi um nível diferente. Outro campeonato”, disse Blythe, acrescentando: “Abrir a corrida daquela forma depois da queda. Fenomenal. Ele é o GOAT. Sem margem para dúvidas.”
Tadej Pogacar corta a meta na Milan-Sanremo 2026
Para Blythe, não foi apenas mais um Monumento, mas uma exibição que elevou Pogacar para lá da comparação.
A uma corrida de “completar o ciclismo”
Com a
Milan-Sanremo assegurada, o foco vira-se de imediato para o que ainda falta.
Na visão de Blythe, a resposta é clara. “Falta-lhe ganhar mais um Monumento e completa o ciclismo. Falta-lhe Roubaix e depois a Vuelta.”
Essa leitura reflete a capacidade de Pogacar para vencer em todo o espectro da modalidade. Já vitorioso em Grandes Voltas e Monumentos que favorecem trepadores e puncheurs, a sua versatilidade continua a ultrapassar fronteiras tradicionais.
Paris-Roubaix como última fronteira
A peça que falta nessa coleção de Monumentos é a
Paris-Roubaix, uma corrida que historicamente resiste a corredores com o perfil de Pogacar.
Ainda assim, Blythe acredita que é apenas uma questão de tempo. “A Vuelta, ele provavelmente faz de olhos fechados. Roubaix pode ser mais difícil, mas depois disso, o miúdo completa o ciclismo.”
É uma afirmação arrojada, mas sustentada por evidência recente. O segundo lugar de Pogacar na estreia em Paris-Roubaix já mostrou que consegue competir num terreno tradicionalmente reservado a especialistas.
Com a Milan-Sanremo agora no palmarés, a ideia de o ver conquistar Roubaix parece mais próxima do que nunca.
Um legado já sem comparação
Mesmo sem acrescentar esse Monumento final, a conclusão de Blythe foi categórica: “Usamos o termo muitas vezes, mas ele é o melhor de sempre, sem sombra de dúvida”, acrescentando que “não houve nenhum corredor como ele, não há ninguém com quem o possamos comparar. É simplesmente intocável.”
A Milan-Sanremo foi durante muito tempo uma das poucas corridas que resistiam a Pogacar. Com essa barreira derrubada, a conversa mudou de novo. Não se ele pode vencer em toda a gama do ciclismo, mas se resta, de facto, algo de significativo para ele conquistar.