Tadej Pogacar continua a fazer a sua preparação para a edição de 2026 da
Volta a França e a mais recente atualização do seu estado de forma surgiu de uma fonte inesperada: a própria Red Bull - BORA- Hansgrohe, uma das equipas com pretensões a discutir a classificação geral da Grand Boucle.
Várias formações WorldTour encontram-se actualmente em estágio na Sierra Nevada, o tradicional centro de altitude espanhol onde muitos dos favoritos ultimam a condição física antes das Grandes Voltas.
Entre elas está também a estrutura de Remco Evenepoel e Florian Lipowitz, que acabou por cruzar-se com Pogacar durante os treinos nas longas subidas andaluzas.
Enquanto o campeão do mundo prepara a defesa da Camisola Amarela conquistada em 2025, os relatos vindos do pelotão deixam claro que o esloveno já apresenta níveis físicos muito próximos do pico competitivo.
Maxim Van Gils surpreendido com o ritmo de Pogacar na subida
Maxim Van Gils da
Red Bull - BORA - Hansgrohe continua a recuperar da queda sofrida na Clássica de Jaén no início da temporada, revelou detalhes sobre os encontros com Pogacar nas estradas montanhosas de Sierra Nevada.
Segundo o belga, o líder da UAE Team Emirates - XRG cruzou-se várias vezes durante os treinos da equipa alemã e demonstrou uma facilidade desconcertante nas subidas, apesar do grupo da Red Bull também estar a trabalhar a alta intensidade.
“O Tadej Pogacar passou por nós algumas vezes e ia a voar”, contou Van Gils à
HLN.
“Nós, de facto, não estávamos a andar devagar, mas o Tadej subia extremamente forte. Primeiro pensámos que era para fazer um pouco de bluff e que ele se tinha escondido nos arbustos duas curvas mais acima. Mas quando chegámos ao topo, voltámos a vê-lo. Portanto, para ele foi mesmo só um esforço normal de subida.”
Pogacar parece já estar de volta ao peso ideal para as Grandes Voltas
As palavras de Van Gils acabam por reforçar a ideia de que Pogacar está a entrar rapidamente na sua habitual transformação física para enfrentar as Grandes Voltas.
Depois de uma primavera marcada pelas Clássicas, onde privilegiou maior potência e massa muscular para responder às exigências do empedrado e das acelerações explosivas, o esloveno parece agora focado em regressar ao peso ideal para as grandes montanhas da Volta a França.
Durante a primavera, alguns observadores notaram que Pogacar apresentava uma estrutura física ligeiramente diferente da habitual, algo particularmente visível na
Volta à Romandia 2026, onde, apesar de ter estado a bom nível, pareceu menos dominante nas subidas mais longas.
No entanto, os relatos vindos de Sierra Nevada apontam para um cenário bastante diferente nesta fase da preparação. “Eu acho que ele estava muito magro”, acrescentou Van Gils.
A habitual gestão de peso de Pogacar antes das Grandes Voltas tem sido uma das chaves do seu sucesso nos últimos anos. O esloveno costuma dividir a temporada em blocos muito distintos, adaptando a composição física aos objetivos específicos de cada fase do calendário.
Volta à Suíça será o derradeiro teste antes de julho
A próxima oportunidade para avaliar o verdadeiro estado de forma do líder da UAE Team Emirates - XRG chegará já na Volta à Suíça 2026, que arranca a 17 de junho. A corrida helvética servirá como derradeiro teste competitivo antes da Volta a França e permitirá perceber até que ponto Pogacar já estará no nível pretendido.
Curiosamente, apesar do impressionante palmarés do esloveno, a Volta à Suíça ainda não faz parte da sua coleção de triunfos em provas WorldTour por etapas. A corrida poderá, por isso, assumir um duplo objetivo: concluir a afinação final para julho e tentar acrescentar mais uma vitória de prestígio ao currículo.
Para já, contudo, os sinais vindos das montanhas espanholas parecem claros. Mesmo entre rivais directos, a sensação é de que Pogacar já começou a entrar na sua versão mais temível.