Patrick Lefevere voltou a provocar polémica no pelotão. Na sua habitual coluna no jornal belga Het Nieuwsblad, o antigo patrão da Soudal - Quick-Step não poupou críticas à
Lidl-Trek e à Red Bull-BORA-hansgrohe, classificando ambas como “os novos ricos do pelotão”.
Aos 71 anos, Lefevere mantém o estilo frontal e mostrou-se particularmente céptico em relação às recentes mudanças estruturais na Lidl-Trek, equipa que decidiu afastar Luca Guercilena do comando desportivo para entregar o projecto a Andy Schleck.
“Muito dinheiro atirado para cima da mesa”
O antigo dirigente belga recordou que foi ele próprio quem levou Guercilena para a sua estrutura em 1996, destacando o trabalho desenvolvido pelo italiano ao longo dos últimos anos na construção da Lidl-Trek como potência do WorldTour.
Contudo, Lefevere vê a recente reestruturação da equipa norte-americana como um sinal claro de excesso de ambição e de uma gestão pouco equilibrada.
“Foi uma autêntica revolução palaciana”,
escreveu. “E pelo que vou ouvindo, atiraram muito dinheiro para cima da mesa.”
As mudanças na Lidl-Trek incluem a chegada de vários nomes sonantes, entre eles
Grischa Niermann, proveniente da Team Visma | Lease a Bike, Dan Lorang, que deixa a Red Bull-BORA-hansgrohe, e ainda Martijn Redegeld, antigo elemento do Ajax e da estrutura da Visma.
Para Lefevere, o problema não está apenas nos investimentos milionários, mas na ausência de coerência dentro das equipas.
“A Lidl-Trek e a Red Bull-BORA-hansgrohe são os "novos ricos" do pelotão e comportam-se como tal. Gastam fortunas em tudo o que está na moda, mas a questão é perceber se todas essas peças encaixam realmente umas nas outras.”
Críticas também à Red Bull-BORA-hansgrohe
O belga apontou igualmente baterias à estrutura alemã da Red Bull-BORA-hansgrohe, considerando que existe excesso de cargos e demasiadas figuras na liderança dentro da organização.
Lefevere mostrou-se particularmente surpreendido com o papel atribuído a Sven Vanthourenhout, antigo seleccionador nacional da Bélgica.
“Na Red Bull há tantos responsáveis desportivos que acabam por se atrapalhar uns aos outros. Ver Sven Vanthourenhout como director desportivo na Volta à Valónia parece-me um absurdo. É alguém claramente sobre qualificado para esse papel.”
Segundo o ex-dirigente, muitas equipas perdem-se nos detalhes e esquecem aquilo que considera serem os verdadeiros alicerces de uma estrutura vencedora.
“O sintoma mais típico destas novas filosofias é transformar os detalhes na prioridade absoluta e esquecerem-se das bases. E as bases são sempre as pessoas.”
Dúvidas sobre Andy Schleck e timing da revolução
Lefevere também não escondeu as dúvidas em relação à escolha de Andy Schleck para liderar o novo projecto da Lidl-Trek, questionando sobretudo o timing da reorganização interna.
Uma das decisões mais polémicas passa pela mudança da sede de Deinze, na Bélgica, para território alemão, algo que poderá provocar várias saídas dentro da equipa.
“Se obrigas funcionários belgas a mudar de país ou a passar metade do dia dentro do carro, vais inevitavelmente perder muita gente”, alertou.
O ex-dirigente considera ainda que mexer tão profundamente na estrutura a apenas um mês da Volta a Fraça pode revelar-se um enorme risco.
“Se o
Juan Ayuso ou o Mattias Skjelmose conseguirem fazer uma grande Volta a França, não será graças a esta reorganização.”
Lefevere tentou contratar Juan Ayuso
Na mesma coluna, Lefevere revelou ainda que tentou contratar Juan Ayuso quando percebeu que Remco Evenepoel estava de saída rumo à Red Bull-BORA-hansgrohe.
Segundo o belga, a resposta da UAE Team Emirates - XRG foi imediata.
“Disseram-me que seria impossível e que me custaria pelo menos quinze milhões de euros”, contou, referindo-se a Joxean Matxin.
Lefevere admite que esse valor estava completamente fora do alcance da Soudal, mas sublinha que poucos meses depois Ayuso acabou mesmo por rumar à Lidl-Trek.
De acordo com informações avançadas pelo Cyclingnews, a formação norte-americana terá pago cerca de dez milhões de euros para libertar o espanhol do contrato que o ligava à UAE Team Emirates - XRG.
O antigo patrão da Soudal - Quick-Step mostrou-se igualmente surpreendido com os montantes associados à
contratação de Derek Gee.
“Ouvi falar de números absurdos. Não posso afirmar nada, mas posso dizer que até metade desse valor que foi pago, já me pareceria demasiado.”