Jens Reynders é um dos ciclistas que não conseguiu garantir contrato para a temporada de 2026. O belga de 27 anos integrava a Wagner Bazin WB, formação profissional franco-belga que passou por uma grande reestruturação e desceu de ProTeam a Continental para o presente ano. Reynders não viu o seu contrato renovado e também não conseguiu encontrar uma nova equipa.
Um novo começo no gravel
Perante o cenário, o belga decidiu virar o foco para o gravel, sem excluir aparições pontuais na estrada. O primeiro compromisso nesta nova fase aproxima-se rapidamente. “Parto para o Dubai dia 15”, disse ao
Wieler Verhaal. “Estarei à partida do Al Salam Championship a 18 de janeiro".
Há bons motivos para isso. “Essa prova é apenas para profissionais convidados. O Tim Wellens foi segundo no ano passado. Há um prémio monetário enorme, 3,5 milhões de AED (cerca de 800.000 €), o que é muito dinheiro.”
Depois deverá alinhar no Sharjah Tour. A grande questão mantém-se: com que camisola? “Neste momento não posso dizer nada sobre isso”, respondeu de forma enigmática. “É uma equipa muito ambiciosa e que pode oferecer muitas oportunidades no futuro. Acredito que com o tempo, poderá tornar-se numa equipa surpreendente.”
O caminho para este novo ciclo foi marcado por alguns obstáculos relevantes. Após um período tenso no início da carreira, quando teve de sair da
Israel - Premier Tech em 2023, 2024 parecia apontar para uma trajetória ascendente. Isso mudou no verão de 2025. “Estava em conversações com várias equipas World Tour”, explicou Reynders.
O “colapso de julho”
Geriu as negociações sozinho, sem agente, mas o azar bateu-lhe à porta. Sofreu uma fratura no joelho, durante o Critério de Kemmel, no pior momento possível. “Em meados de julho parti o joelho. Acabou tudo, porque todos esperaram para ver o que acontecia. Foi um período difícil para mim, porque estava quase no meu melhor e pronto para acertar a forma para o Renewi Tour. Faltava apenas um estágio e estaria pronto.”
A incerteza no mercado de transferências,
agravada pela fusão Lotto-Intermarché, completou o quadro. “No fim surgiram algumas propostas, mas não eram aquilo que eu esperava.”
Em vez de aceitar uma oferta inferior, Reynders decidiu procurar alternativas. E o gravel, que se encontra em rápido crescimento, ofereceu-lhe uma via interessante. “Sabia que havia oportunidades no gravel. Várias grandes marcas de bicicletas estão a criar as suas próprias equipas, seguindo o exemplo da Ridley no ano passado. Achei isso interessante, porque sempre tive desempenhos muito bons nas corridas de gravel.”
Reynders será profissional de gravel a tempo inteiro, apoiado pelos seus próprios patrocinadores, com foco nos principais eventos da especialidade. “Acho que financeiramente, consigo tirar muito mais disto do que das propostas de estrada que recebi”, defendeu.
Isto está longe de ser o fim da carreira, bem pelo contrário. “Continuo muito ambicioso. Os meus melhores anos ainda estão para vir, o meu pico ainda está por acontecer. Sinto-o nos treinos, estou cada vez mais forte”, concluiu.