A vitória de
Giulio Pellizzari na
Volta aos Alpes 2026 construiu-se ao longo de cinco dias de agressividade controlada e ascendente autoridade, culminando num ataque decisivo na última etapa que garantiu o triunfo parcial e a geral.
Ao serviço da Red Bull - BORA - hansgrohe, Pellizzari chegou como candidato e sai como a figura da prova, tornando-se o primeiro italiano a vencer desde
Vincenzo Nibali há 13 anos.
Uma semana a construir o momento decisivo
O sucesso de Pellizzari não se explicou por um único movimento, mas pela consistência ao longo da semana. Depois de se posicionar cedo na geral, assumiu o comando com a vitória na 2.ª etapa, vestindo a camisola de líder e passando a correr sob pressão constante até final.
A partir daí, cada etapa foi um exame de controlo. Com diferenças medidas em segundos e não em minutos, o italiano teve de responder a ataques, gerir o posicionamento e confiar na equipa em terreno exigente. “Foi uma etapa muito dura desde o início”,
disse Pellizzari em conversa com a Cycling Pro Net. “Tenho de agradecer aos meus colegas pelo trabalho que fizeram hoje e em todos os dias anteriores.”
Última etapa entrega o ataque definidor
Essa pressão atingiu o pico na derradeira etapa, quando a corrida explodiu na subida a Montoppio.
Após uma fase inicial agressiva e uma fuga forte que obrigou a controlo precoce, os candidatos à geral ficaram entregues a si na ascensão final. Pellizzari atacou a cerca de 20 quilómetros da meta, abrindo de imediato espaço para os rivais diretos. “A subida final encaixava nas minhas características”, disse. “Tentei dar tudo por eles, e conseguimos.”
O ataque foi decisivo. Apesar de Egan Bernal e Thymen Arensman tentarem responder, a diferença manteve-se estável, permitindo a Pellizzari coroar a subida com uma vantagem crucial.
Pellizzari isola-se de Arensman e Bernal na última etapa da Volta aos Alpes
A segurar a vantagem sob pressão
Daí até à meta, a corrida foi um teste de sangue-frio. “Sim, quando ataquei e vi logo abrir um espaço”, disse Pellizzari quando questionado sobre quando percebeu que a vitória era possível. “Depois eles ficaram a cerca de 10 a 15 segundos e pensei que tinha de ir a fundo e dar tudo.”
A descida até à chegada acrescentou outro nível de risco. Com os perseguidores a aproximar, Pellizzari forçou para manter a vantagem, mesmo à custa de arriscar. “Puxei ao máximo e talvez tenha arriscado um pouco demais”, afirmou. “Pelo rádio diziam-me para não arriscar, e cometi alguns erros em curvas, mas tinha de continuar a forçar até à meta.”
Confiança construída com a equipa e a preparação
Para lá da última etapa, Pellizzari destacou o apoio da equipa e o material como fatores-chave ao longo da semana. “Enquanto equipa, estamos num momento muito bom”, disse. “Sinto-me muito confortável com a bicicleta, os pneus e a afinação, por isso é uma área onde podemos tentar fazer a diferença.”
Ainda assim, sublinhou que a corrida se decidiu nas subidas, onde a sua força foi determinante perante um pelotão muito nivelado.
Com a vitória na Tour of the Alps assegurada, o foco vira-se de imediato para o
Giro d’Italia, agora a apenas duas semanas. “O Giro é exatamente daqui a duas semanas”, disse Pellizzari. “Agora vou à altitude para terminar a preparação e depois seguimos para a Bulgária. Sei que tenho de estar na melhor forma na terceira semana do Giro.”
O foco muda do sucesso em uma semana para a resistência em três, mas a confiança trazida desta exibição é evidente.
Uma vitória com peso histórico
O significado do triunfo de Pellizzari vai além do resultado imediato. “Sim, é estranho terem passado 13 anos desde que um italiano venceu aqui”, afirmou. “Estou feliz por a trazer de volta a casa e espero que seja um bom sinal para a minha carreira. Se conseguir fazer metade do que o Nibali fez, já será muito.”
Após uma semana marcada pelo controlo, pela resiliência e por um ataque no momento certo, Pellizzari sai da Tour of the Alps não apenas como vencedor, mas como um corredor que leva embalo para o próximo grande objetivo da época.