“Tadej Pogacar pode vir a ser o maior ciclista de sempre, mas espero ver mais rivais” Peter Sagan aponta a Remco Evenepoel

Ciclismo
terça-feira, 10 fevereiro 2026 a 15:00
2026-02-10_12-03_Landscape
Perante toda a dose de domínio que o ciclismo moderno tem exibido nas últimas épocas, Peter Sagan acredita que o pelotão precisa de algo mais do que admiração pela grandeza. Precisa de oposição.
Falando recentemente à Tutto Bici Web, Sagan não fugiu à dimensão do desafio colocado por Tadej Pogacar, sugerindo que o esloveno “pode mesmo ser o melhor corredor de sempre”.
Ainda assim, o tricampeão do mundo foi igualmente claro quanto ao que falta ao ciclismo no presente: rivalidade genuína e sustentada ao mais alto nível.
É aí que Remco Evenepoel entra no raciocínio de Sagan. Não como um conquistador garantido de Pogacar, mas como o corredor em melhor posição para impedir que a modalidade resvale para uma era prolongada de inevitabilidade.

Porque é que Evenepoel se destaca

A avaliação de Sagan assenta menos no sentimento e mais na observação. Acompanha Evenepoel de perto desde os primeiros anos no WorldTour, recordando encontros tão recuados como San Juan, em 2020, quando a potência e a personalidade do belga já o distinguiam dos pares.
“O que me impressionou foi que já se via que ele era diferente”, recordou Sagan. “Tinha uma personalidade muito forte e mentalidade ganhadora. Independentemente da importância da corrida, está lá para vencer.”
Essa mentalidade, mais do que qualquer resultado isolado, é o que Sagan considera separar Evenepoel do restante pelotão perseguidor. Num pelotão cada vez mais moldado pela otimização e pelo controlo, o instinto do belga para se impor continua a ser a sua marca.
peter sagan giro2020 etapa 10
Peter Sagan correu pela BORA - hansgrohe durante a sua carreira

Uma mudança que altera a equação

Crucialmente, Sagan vê também a transferência de Evenepoel para a Red Bull - BORA - hansgrohe como um momento decisivo nessa trajetória. Na sua ótica, o belga passou a ter acesso à profundidade, estrutura e recursos necessários para transformar intenção em desafio consistente.
“Espero que a mudança para a Red Bull o ajude a fechar o fosso”, disse Sagan. “Um talento como o Remco pode ganhar tudo, seja uma Grande Volta ou um Monumento. Mas depende das escolhas que fizer.”
Essa convicção foi reforçada pelas primeiras semanas de 2026 de Evenepoel. O arranque com as novas cores foi mais categórico do que vistoso: vitórias na série Challenge Mallorca, autoridade nas provas por etapas e um visível sentido de controlo no novo contexto. Internamente, não foi enquadrado como pico, mas como confirmação de que preparação e estrutura estão alinhadas.

Forma inicial, horizonte longo

Estes resultados importam não por reescreverem a hierarquia da Volta a França em fevereiro, mas por sustentarem a tese mais ampla de Sagan. O desequilíbrio do ciclismo não se resolve com ‘hype’ ou desempenhos isolados. Resolve-se quando os corredores mostram capacidade de regressar, repetidamente, com crença e ferramentas para desafiar a referência do pelotão.
Sagan é prudente nesse ponto. Não sugere que o domínio de Pogacar se quebre com facilidade. Na verdade, sublinha o contrário. “Vencê-lo é extremamente difícil”, afirmou. “Neste momento, ele está muito acima de todos os outros.”
Mas, para o antigo vencedor da classificação por pontos, essa realidade só reforça a necessidade de oposição credível. Um desporto definido por um único ponto de referência arrisca estagnar, por mais excecional que esse padrão seja.

Mais do que apenas Monumentos

Sagan rejeita também a ideia de reduzir o palmarés de Evenepoel a um único indicador. Embora o belga tenha, até agora, um Monumento, Sagan descarta essa leitura como redutora, apontando antes para títulos mundiais, ouro olímpico e uma vitória numa Grande Volta como prova de um corredor cuja amplitude já extravasa a norma.
“Estou convencido de que ele pode vencer todos os Monumentos se os preparar especificamente”, disse Sagan.
Essa versatilidade, combinada com a ambição de ganhar a Volta a França, é precisamente o que torna Evenepoel relevante para o equilíbrio competitivo do ciclismo. Representa opcionalidade. Um corredor capaz de escolher diferentes caminhos em vez de ficar preso a uma única via.

A rivalidade que o desporto precisa

Sagan não deseja a queda de Pogacar, mas sim resistência ao seu reinado. Mais rivais. Mais tensão. Mais incerteza.
Evenepoel pode ou não conseguir, em definitivo, encurtar o fosso que marca esta era, mas, para Sagan, continua a ser o corredor mais capaz de tentar. A mudança para a Red Bull, a abordagem agressiva à corrida e o arranque elétrico de 2026 apontam na mesma direção.
Num desporto cada vez mais moldado pelo domínio no topo, essa vontade de desafiar pode já ser parte da solução.
aplausos 0visitantes 0
loading

Últimas notícias

Notícias populares

Últimos Comentarios

Loading