Paul Seixas anunciou esta segunda-feira que vai participar na
Volta a França de 2026, confirmando a preparação que temos visto ao longo do último ano. O francês está numa ascensão meteórica e será, sem dúvida, uma das estrelas da próxima Grande Boucle. O diretor do Tour,
Christian Prudhomme, falou recentemente sobre a sua participação numa entrevista.
“Isto é obviamente uma excelente notícia. Já na Liege-Bastogne-Liege, eu seguia num carro na berma da estrada, atrás de Pogacar e de Paul Seixas, que iam na fuga. E o que é que ouvi? ‘Allez Paul, allez Seixas, allez Paul!’ Portanto, é claro que isso vai ganhar outra dimensão durante a Volta a França”, disse Prudhomme em entrevista à
RMC Sport.
Prudhomme compara a evolução de Seixas à de Bernard Hinault, o último vencedor francês do Tour. “[Em 1977] Ganhou o Dauphiné, mas não correu o Tour; veio no ano seguinte. E, obviamente, havia uma verdadeira vontade, mas na altura era muito diferente, porque vivíamos um período de vitórias francesas”.
Prudhomme e Seixas na recente Liege-Bastogne-Liege
O ciclismo de hoje já não é o mesmo, mas Seixas reacende essa chama nos franceses, afastados nos últimos anos até da luta pelo pódio. Este ano, poderá ser o mais jovem do pelotão do Tour a intrometer-se no top-3, algo inédito para França desde Romain Bardet em 2017.
“Agora esperamos desde 1985, há mais de 40 anos. Paul Seixas não é, claramente, o favorito para o próximo Tour. Mas vê-lo partir lado a lado com Pogacar, Vingegaard e os outros é algo muito forte”.
Pódio na Volta a França e pressão
Prudhomme não esconde as expectativas em relação ao ciclista da Decathlon CMA CGM, que volta a colocar o fator “casa” sob os holofotes. No passado, corredores como Thomas Voeckler, Julian Alaphilippe, Thibaut Pinot e o próprio Bardet foram ídolos do público, vencedores de etapas na Volta, e figuras acarinhadas pelos adeptos que enchem as estradas durante três semanas.
“Não me parece irrealista”, diz sobre a possibilidade de Seixas terminar no pódio final. “Na sua primeira Grande Volta, Pogacar foi terceiro na geral da Vuelta (em 2019) e ganhou três etapas. Não sei se o Paul Seixas poderá fazer isso, mas estou convencido de que nos vai emocionar porque, para lá do resultado, é capaz de atacar de longe, é capaz de atacar em qualquer lado. Tem a despreocupação da juventude.
Será o corredor mais jovem a arrancar no Tour desde 1937 e vai correr com ambição, o que é enorme”.
A forma como tem gerido a pressão também impressiona, mas a Volta a França estará, sem dúvida, noutro patamar. “Não consigo imaginar o que deve ser, e não creio que ele tenha plena noção disso. Todos dizemos que é preciso protegê-lo da pressão, mas, na verdade, estamos a fazer tudo para que ele esteja lá, para o colocar sob os holofotes e celebrar a sua participação”.