“Conquistar o ouro frente a Mathieu? Impossível”: Tibor Del Grosso reconhece a dominância de Van der Poel antes do Campeonato do Mundo de Ciclocrosse

Ciclocrosse
quinta-feira, 29 janeiro 2026 a 6:00
CYCLOCROSS_TiborDelGrosso
A avaliação mais clara dos Campeonatos do Mundo de Ciclocrosse desta semana não veio de uma equipa rival, de um comentador ou de um externo. Chegou de dentro da própria Alpecin-Premier Tech. Para Tibor Del Grosso, a questão do ouro em Hulst já está resolvida.
“Vencer o ouro contra o Mathieu? Não é possível”, admitiu Del Grosso em declarações recolhidas pela Wieler Revue, oferecendo um veredito contundente sobre o atual equilíbrio de forças, com Mathieu van der Poel a chegar aos Mundiais após um inverno de domínio total.
Não é uma tirada de circunstância. Del Grosso passou grande parte da época a ver Van der Poel do pior lugar para alimentar ilusões: diretamente na sua roda.
van der poel del grosso
Van der Poel e Del Grosso
Terminou atrás dele em segundo por várias vezes, incluindo em corridas onde problemas mecânicos ameaçaram, por breves momentos, complicar o desfecho. Mesmo assim, a conclusão não mudou.

Impotência a esforço máximo

Del Grosso apontou Maasmechelen como exemplo definidor. Dois furos podem ter perturbado a corrida de Van der Poel no papel, mas não na prática. “A forma como ele regressa depois desse furo e ainda vence. Como se afasta de ti enquanto tentas seguir a toda a potência”, disse Del Grosso. A sensação, explicou, não é frustração tática, é pura impotência. “Ninguém faz uma curva com aquela velocidade e precisão”.
Essa observação alinha-se com o que o inverno repetidamente mostrou. Van der Poel não tem precisado de pressão contínua ou ataques sucessivos para partir as corridas. Espera, escolhe o momento e abre claro com uma aceleração que os outros simplesmente não conseguem absorver. Mesmo quando atrasado pelo azar, o desfecho tem parecido inevitável.
A conclusão de Del Grosso é direta e, para um atleta de topo, desconfortável. O domínio tornou-se tão completo que o resto do pelotão disputa, na prática, outra corrida. “Quando ele se afastou de nós em Hoogerheide, passou a ser emocionante para os outros lugares do pódio”, explicou Del Grosso. “É aí que começa realmente uma nova corrida”.

Uma visão realista sobre Hulst

Neste contexto, a perspetiva de Del Grosso para os Mundiais é realista, não derrotista. “Começo sempre com ambição e, como atleta, com o objetivo de chegar o mais alto possível”, apontou. “Mas à partida eu assinava por prata ou bronze”.
É uma concessão assinalável, mas enraizada em semanas de evidência. Van der Poel chega a Hulst depois de reescrever os livros de recordes da Taça do Mundo, a correr num nível descrito pelos analistas como física e mentalmente completo, transformando repetidamente perseguidores de elite em espectadores. As margens não encolheram. Se alguma coisa, estabilizaram.
“Vencer o ouro numa corrida com o Mathieu como adversário, não considero possível”, rematou Del Grosso.
Na maioria das antecâmaras de um Campeonato do Mundo, os corredores sublinham a oportunidade e a incerteza. Del Grosso escolheu a honestidade. E, ao fazê-lo, talvez tenha resumido este inverno com mais precisão do que qualquer outro.
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