Diogo Narciso encerrou este sábado a sua participação na segunda ronda da Taça do Mundo de pista da UCI com um oitavo lugar na disciplina de omnium, numa jornada realizada em Hong Kong e marcada por uma prestação combativa do corredor português. O atleta foi o único representante da Seleção Nacional em prova durante este dia e voltou a demonstrar capacidade para discutir lugares de destaque num programa particularmente exigente.
O arranque do dia começou com a fase de qualificação, etapa fundamental para garantir presença na final. Narciso conseguiu assegurar esse objetivo ao terminar na sexta posição na sua série, resultado suficiente para integrar o lote restrito de corredores que disputariam o omnium decisivo. A partir daí, seguir-se-iam quatro provas consecutivas - scratch, tempo race, eliminação e corrida por pontos - que exigem versatilidade, resistência e capacidade de leitura tática ao mais alto nível.
Na primeira disciplina da final, o scratch, o ciclista português encontrou maiores dificuldades para se posicionar nos momentos-chave da corrida. Num pelotão muito competitivo e marcado por constantes mudanças de ritmo, Narciso acabou por cruzar a linha de meta na 19ª posição, um resultado que o deixou longe dos lugares cimeiros logo na abertura do programa.
Apesar desse início menos favorável, o português reagiu com personalidade na prova seguinte, a tempo race, onde assinou um dos momentos mais positivos da sua participação. Demonstrando agressividade tática e excelente capacidade física, Narciso conseguiu inserir-se nas movimentações decisivas e terminou num fantástico segundo lugar, resultado que lhe permitiu recuperar terreno na classificação geral provisória e relançar as suas ambições.
A terceira disciplina do omnium, a eliminação, voltou a revelar-se mais complicada. Num formato em que os atletas são eliminados progressivamente ao longo da corrida, qualquer erro de posicionamento pode ser fatal. O corredor nacional não conseguiu evitar ficar entre os primeiros a sair e terminou esta prova na 21ª posição, o que voltou a colocá-lo numa situação delicada antes da decisiva corrida por pontos.
Diogo Narciso venceu a Clássica de Viana no fim de semana
Foi precisamente na última prova do dia que Narciso voltou a mostrar a sua capacidade de luta. À entrada para a corrida por pontos, a situação classificativa obrigava-o a arriscar para recuperar posições. Com uma atitude combativa desde os primeiros momentos, o português foi somando pontos nas voltas pontuáveis e conseguiu manter-se atento às principais movimentações do pelotão. No final desta exigente disciplina, acumulou um total de 52 pontos, desempenho que lhe permitiu subir várias posições na tabela classificativa.
Graças a essa recuperação consistente, Diogo Narciso terminou o omnium com um total de 95 pontos, assegurando o oitavo lugar final. O resultado ganha ainda maior relevância tendo em conta a evolução demonstrada ao longo do dia, especialmente na fase decisiva do programa.
A vitória na prova foi conquistada pelo neerlandês Philip Heijnen, que somou 156 pontos e confirmou o favoritismo. A medalha de prata ficou nas mãos do japonês Kazushige Kuboki, com 148 pontos, enquanto o britânico Matthew Bostock completou o pódio ao alcançar o bronze, totalizando 137 pontos.
No final da jornada, o Selecionador Nacional, Gabriel Mendes, destacou o desempenho do atleta português e a forma como conseguiu reagir às adversidades ao longo das diferentes provas,
em declarações recolhidas pelo Jornal A Bola. "Fizemos um resultado muito bom num programa exigente. Saímos satisfeitos com o desempenho global, mas poderíamos ter feito ainda melhor", afirmou, sublinhando sobretudo a qualidade exibida na tempo race e na corrida por pontos. Ainda assim, lamentou alguns contratempos nas fases iniciais do omnium, nomeadamente no scratch e na abordagem adotada na eliminação.
O técnico nacional fez ainda questão de valorizar a atitude demonstrada por Narciso na reta final da competição, salientando a capacidade de recuperação evidenciada pelo corredor português. "À entrada para a última prova estávamos no 16º lugar e terminámos em 8º. Pela atitude, esforço e empenho na luta pelo melhor resultado para o país, o Diogo está de parabéns pelo que fez hoje em pista", concluiu Gabriel Mendes.
A participação portuguesa em Hong Kong prossegue este domingo, com novas presenças nacionais em ação. Daniela Campos estará em competição no omnium feminino, enquanto João Martins e Gabriel Baptista farão a sua estreia na disciplina de madison, numa jornada que promete voltar a colocar as cores nacionais em evidência no panorama internacional da pista.
Créditos da foto: Jornal A Bola