O primeiro ataque de
Jonas Vingegaard na
Volta a Itália 2026 não foi apenas uma demonstração de força. Após mais um dia marcado por quedas na Bulgária, o líder da Visma explicou que a sua movimentação na última ascensão da 2ª etapa visou também manter-se afastado do perigo antes do técnico final em Veliko Tarnovo.
Vingegaard acelerou perto do topo do Lyaskovets Monastery Pass, fragmentando o reduzido grupo da frente depois de uma queda aparatosa já ter forçado a neutralização temporária da etapa. Giulio Pellizzari e Lennert Van Eetvelt conseguiram juntar-se a ele no alto e, por momentos, o trio pareceu em condições de disputar a vitória.
Acabaram, porém, alcançados dentro do último quilómetro, com Guillermo Thomas Silva a vencer a etapa pela XDS Astana e a vestir a Maglia Rosa. Ainda assim, o ataque de Vingegaard tornou-se um dos momentos desportivos do dia, sobretudo por ter surgido tão cedo numa corrida de três semanas.
Numa atualização pós-etapa divulgada pela Team Visma | Lease a Bike, Vingegaard explicou que a jogada foi em parte moldada pelo final perigoso. “A ideia era reduzir significativamente o grupo para evitar os perigos no último quilómetro”, referiu. “Senti-me bem hoje e teria gostado de sprintar pela vitória, mas era muito mais importante chegar à meta em segurança”.
Visma confirma que o ataque na última subida foi planeado
Jonas Vingegaard posa ao lado do troféu da Volta a Itália
O ataque surgiu após uma fase dura da etapa, em que vários corredores caíram em estradas molhadas antes da subida final. O incidente deixou várias equipas a contar estragos, com a UAE Team Emirates - XRG particularmente afetada e Santiago Buitrago forçado a abandonar.
A Visma também não saiu ilesa.
Wilco Kelderman e Tim Rex envolveram-se na queda, embora Vingegaard a tenha evitado e tenha conseguido recentrar-se rapidamente antes da estrada subir para o mosteiro.
O diretor desportivo
Marc Reef confirmou que o ataque fazia parte do plano da equipa, e não uma resposta espontânea quando a corrida abriu. “O Jonas conseguiu mudar rapidamente o foco após a queda”, notou Reef. “Mostra que está em excelente forma. O plano era atacar na última subida, mas, claro, é sempre preciso ver como estão as pernas. É bom ver como o Jonas está forte”.
Esse detalhe dá significado extra ao movimento. A 2ª etapa não terminava em alto, nem era um dia apontado para decidir a geral da Giro, mas a Visma viu na última subida a oportunidade de reduzir o grupo, testar a corrida e manter Vingegaard afastado dos perigos de um pelotão maior em piso molhado.
Preocupação com Kelderman após queda aparatosa
A análise pós-etapa de Reef foi mais cautelosa no que toca a Kelderman, cujo estado permanecia incerto quando a equipa emitiu a atualização. “Não havia nada que pudéssemos fazer quanto à queda”, lamentou Reef. “A curva estava escorregadia e o ritmo no pelotão era alto. Quando caem à tua frente, não há como evitar. Neste momento, ainda não sabemos como está o Wilco”.
Isso deixou a Visma com sentimentos mistos na chegada. Vingegaard mostrou pernas e evitou perder tempo num dia cheio de perigo, mas a equipa teve de aguardar esclarecimentos sobre Kelderman após mais uma queda pesada no fim de semana de abertura.
Para Vingegaard, a etapa não trouxe vitória nem Maglia Rosa, mas ofereceu um sinal precoce. O seu Giro já está ativo, a equipa está disposta a mexer antes da alta montanha, e o primeiro ataque surgiu com desempenho e proteção em mente.