Thomas Silva assinou uma das primeiras grandes surpresas da
Volta a Itália 2026 na 2ª etapa, vencendo em Veliko Tarnovo e vestindo a Maglia Rosa após um dia caótico e marcado por quedas na Bulgária.
O corredor da
XDS Astana Team lançou o sprint no momento certo a partir do grupo perseguidor, depois de Jonas Vingegaard, Giulio Pellizzari e Lennert Van Eetvelt se terem destacado no Lyaskovets Monastery Pass. A ofensiva parecia capaz de decidir a tirada, mas a hesitação no último quilómetro permitiu o reagrupamento antes de Silva disparar para a vitória, à frente de Florian Stork e Giulio Ciccone.
Foi bem mais do que um triunfo de etapa. Silva assumiu também a liderança da geral, vestindo de rosa num dia que marcou um momento histórico para o ciclismo uruguaio.
Falando depois à Cycling Pro Net, Silva teve dificuldade em assimilar a dimensão do que acabara de alcançar. “Sim, bem, é algo incrível, não é? Algo histórico, como dizes, para o país”, afirmou quando questionado sobre vestir de rosa 60 anos depois de Juan Jose Timon se ter tornado o primeiro uruguaio a correr em Itália. “Para mim, é o máximo. Honestamente, vim à
Volta a Itália a pensar em lutar por uma etapa, e que isso aconteça logo na segunda e ainda poder vestir a Maglia Rosa... Fico sem palavras”.
“Esta vitória é para eles”
A carga emocional do triunfo ficou evidente imediatamente após a meta. Silva chegara ao Giro a pensar numa oportunidade de etapa, mas poucos esperariam que surgisse tão cedo e com a Maglia Rosa como bónus.
Para Silva, a vitória teve também um significado profundamente pessoal. A família esteve presente para testemunhar o maior momento da sua carreira, e o uruguaio dedicou o triunfo a quem o apoia desde o início. “Sim. Bem, esta vitória é para eles, para o meu pai e a minha família, que têm estado ao meu lado desde pequeno”, mencionou. “Agora estão aqui, e poder dar-lhes uma vitória é algo incrível”.
O desfecho chegou após uma etapa dura, moldada pela chuva, quedas e uma neutralização temporária. Jay Vine abandonou depois de ser retirado em maca, Marc Soler também foi encaminhado para o hospital, e Adam Yates perdeu mais de 12 minutos depois de a UAE Team Emirates - XRG ter sido atingida por uma queda coletiva em piso molhado.
Em pleno caos, Silva e a XDS Astana encontraram a resposta tática perfeita.
Scaroni ajuda a fechar o movimento decisivo
A etapa parecia escapar quando Vingegaard atacou a cerca de 700 metros do topo da última subida. Pellizzari e Van Eetvelt foram os únicos a responder, e o trio construiu uma vantagem perigosa na aproximação a Veliko Tarnovo.
Atrás, a XDS Astana Team manteve a força dos números e sangue-frio. Christian Scaroni, apontado já à partida como um dos homens talhados para o final explosivo, teve um papel crucial ao ajudar a anular a ação nos quilómetros decisivos.
“A verdade é que nos últimos 10 quilómetros tinha muita confiança, mas tinha de manter a calma, manter a calma, confiar nos meus colegas”, explicou Silva. “O Scaroni confiou em mim a todo o momento quando viu que eu estava naquele grupo. Fez um trabalho magnífico no final para fechar aqueles quatro que seguiam na frente e deixar-me ali apenas para lançar o meu sprint”.
Para Silva, essa paciência fez a diferença entre perseguir e ganhar. “Por isso acho que a tática foi manter a calma e confiar. Confiar, e felizmente aconteceu”, afirmou.
A recompensa foi enorme. Silva terminou o dia não só como vencedor de etapa de uma Grande Volta, mas também como novo líder da Volta a Itália, quatro segundos à frente de Stork e Egan Bernal na classificação geral. Após um dia de caos na corrida, Silva ofereceu ao Giro o seu primeiro verdadeiro conto de fadas de 2026.