Jasper Stuyven lançou uma crítica contundente à direção de corrida da
Volta a Itália após a 2ª etapa ter sido retomada depois de uma queda massiva, apesar de os ciclistas acreditarem que a prova ficou sem cobertura total de ambulâncias.
A segunda etapa, na Bulgária, já era um dos dias mais caóticos da corrida quando cerca de 30 ciclistas caíram em estradas encharcadas, a 23 km da meta. A UAE Team Emirates - XRG foi particularmente atingida, com Jay Vine e Marc Soler a serem transportados para o hospital, enquanto Adam Yates terminou a mais de 13 minutos do vencedor, Guillermo Thomas Silva, após uma queda violenta.
Santiago Buitrago também foi forçado a abandonar e levado ao hospital para exames adicionais, somando mais um nome de peso à lista de corredores afastados do Giro pelo mesmo incidente.
A corrida foi neutralizada durante vários quilómetros enquanto as viaturas médicas assistiam os acidentados. Mas Stuyven,
falando depois ao HLN, afirmou que a situação devia ter sido gerida de forma diferente antes de autorizar a retoma da competição. “Não havia ambulâncias disponíveis”, disse Stuyven. “E ainda vinha aí uma descida que podia ser perigosa”.
Corredores queriam neutralização de tempos para a geral
Segundo o HLN, vários ciclistas falaram com a direção de corrida durante a neutralização, incluindo Stuyven, Victor Campenaerts, Jonas Vingegaard, Filippo Ganna e Jonathan Milan.
Stuyven disse que os corredores não pediam o cancelamento total da etapa. Pretendiam, sim, a neutralização dos tempos para a classificação geral, permitindo que quem quisesse arriscar continuasse a lutar pela vitória na etapa, sem obrigar os homens da geral a descer a toda a intensidade.
“Queríamos, depois daquela queda, uma neutralização dos tempos para a classificação, para que os destemidos ainda pudessem lutar pela etapa, mas sem ter de assumir riscos desnecessários naquela próxima descida”, explicou Stuyven.
O pedido surgiu após uma queda suficientemente grave para redesenhar a corrida. Vine foi retirado em maca para uma ambulância, Soler também seguiu para o hospital, Yates perdeu muito tempo e o Giro de Buitrago terminou antes de a prova sequer deixar a Bulgária.
Stuyven critica o diretor de corrida
A crítica mais dura de Stuyven incidiu sobre a forma como sentiu que a decisão foi comunicada. “O diretor de corrida disse que estavam a analisar”, contou. “Depois, deitou a cabeça fora do carro como um cão assustado, começou a abanar a bandeira e gritou ‘corrida’. E rapidamente voltou a meter a cabeça dentro do carro”.
A etapa acabou por prosseguir, com Jonas Vingegaard a atacar no Lyaskovets Monastery Pass antes de Guillermo Thomas Silva vencer a partir do grupo perseguidor e vestir a Maglia Rosa.
Mas o desfecho desportivo ficou quase em segundo plano face ao debate mais amplo sobre segurança. Após duas etapas marcadas por quedas na Bulgária, o Giro entra na 3ª etapa com o pelotão já muito castigado fisicamente e com crescente frustração sobre a forma como a corrida tem sido gerida.