“A maioria das contratações foi feita assumindo que o Remco ficaria” - CEO da Quick-Step admite que a saída de Evenepoel mudou os planos

Ciclismo
domingo, 18 janeiro 2026 a 15:00
Remco Evenepoel
Durante anos, apesar de todos os rumores em torno de Remco Evenepoel, a Soudal - Quick-Step construiu a sua estratégia de mercado com base num pressuposto central: que ele ficaria.
Essa é a mensagem clara do CEO Jurgen Fore numa entrevista ao HLN, onde admitiu que o trabalho no mercado foi moldado por um futuro que, no fim, não aconteceu. “A maioria das contratações que fizemos partiu do princípio de que o Remco ficaria”, afirmou Fore, antes de confirmar que só depois da decisão de sair é que a equipa acrescentou Filippo Zana e Alberto Dainese.
Esta leitura reposiciona toda a saída de Evenepoel. Não como um divórcio lento e inevitável, mas como um momento que obrigou a mudar de rumo já tarde. Durante anos, o seu nome foi ligado a quase todas as super equipas do pelotão. Mas dentro da Quick-Step, a realidade de trabalho era outra.
Quando a decisão chegou, Fore diz que tudo foi tratado sem drama. “O Remco fez a escolha de sair e nós respeitámo-la sob determinadas condições. Não há mais nada a dizer sobre isso. Estamos a iniciar uma era sem o Remco”.

Planear com o Remco

Para a Quick-Step, Evenepoel não era apenas um líder. Ele moldava a estrutura da equipa. Ambições de Grandes Voltas, gregários, desenvolvimento a longo prazo, tudo foi desenhado a pensar nele.
Fore deixou claro que muitas das contratações foram feitas nesse contexto. Só quando ficou certo que Evenepoel iria sair é que reagiram. Não é a linguagem de quem preparou a saída durante anos. É a linguagem de quem ajustou tarde.
Essa mudança tardia explica também porque Fore rebateu a ideia de que a saída foi confusa ou emocional. “Quando assinas um contrato, é importante para mim que o respeites ou o renegocies. Não é um pedaço de papel”, frisou. “Neste mundo de rumores, um contrato é um âncora importante, um acordo vinculativo com corredores e patrocinadores. Os nossos patrocinadores contam com isso”.
Não há amargura nessa linha, mas há firmeza. A transferência de Evenepoel para a Red Bull - BORA - Hansgrohe encerrou uma das parcerias definidoras do ciclismo belga moderno. Para a Quick-Step, fechou também um capítulo que ainda estavam a escrever.

Vida após Evenepoel

Fore é claro: a equipa já virou a página. “Os corredores que agora estão na nossa equipa querem estar aqui. Acreditam que podem acrescentar algo e que nós os podemos tornar melhores”.
Rejeita também a ideia de que perder Evenepoel significa, automaticamente, declínio. “Porque não haveremos de conseguir ganhar Liège? Ou a Amstel?”, questionou. “A nossa primavera é bem-sucedida se estivermos em destaque, a discutir vitórias, e se trouxermos um triunfo importante”.
Mas a admissão sobre o mercado dá contexto. A Quick-Step não se redesenhou de antemão para um mundo pós-Evenepoel. Acreditou, até ao fim, que ele ficaria.
Nesse sentido, a saída não foi apenas uma perda desportiva. Foi um choque de planeamento. A reconstrução que se seguiu não foi um projeto longamente preparado. Foi um ajuste rápido a uma nova realidade.
Agora, com Evenepoel a construir o seu futuro noutro lado, a Quick-Step constrói o seu com um plantel pensado, em parte, para um corredor que já lá não está. A próxima fase da história dirá até que ponto conseguem transformar um plano feito para Remco em sucesso sem ele.
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