"João Almeida será o principal rival, já mostrou que o consegue bater" - Bruyneel não dá por adquirida a vitória de Jonas Vingegaard na Volta a Itália

Ciclismo
sábado, 17 janeiro 2026 a 19:00
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O plano de Jonas Vingegaard para disputar a Volta a Itália e a Volta a França há muito estava no horizonte mas foi agora confirmado pela Team Visma | Lease a Bike, enquanto o esboço da época ficou definido. O dinamarquês vai tentar completar a coleção das Grandes Voltas já em maio no Giro, e Johan Bruyneel defende que isso também o pode ajudar na perseguição à Volta a França frente a Tadej Pogacar.
“Se tens a oportunidade de vencer as três grandes voltas e, no fim da carreira, podes dizer ‘sou um dos poucos que venceu as três grandes voltas’, tens de agarrá-la”, argumentou Bruyneel no podcast The Move. “Há Merckx, há Froome e Hinault (para citar alguns, outros também o fizeram), mas Indurain nunca venceu as três”.
É, de facto, um feito histórico ao alcance de muito poucos na história do ciclismo, e essa lista não inclui Tadej Pogacar, que venceu o Giro e o Tour, mas nunca a Vuelta. No último outono, Vingegaard triunfou na classificação geral da última Grande Volta da temporada, batendo João Almeida apesar de não estar no melhor nível na segunda metade da corrida, fruto de doença, e o desgaste do Tour também pode ter pesado. Depois de vencer a Vuelta, tornou-se óbvio que o Giro seria o passo seguinte.
Jonas Vingegaard e João Almeida
Jonas Vingegaard e João Almeida na Vuelta 2025
Vingegaard inicia a época no UAE Tour, corre a Volta à Catalunha e segue para um estágio em altitude antes da Corsa Rosa, onde o analista belga sustenta que ele é o homem a bater. “Provavelmente vai ganhar o Giro, se a preparação correr bem. É provável que não corra entre o Giro e o Tour. Acho exequível, mas estará a abdicar um pouco, mentalmente, da dominância de Pogacar?”
É possível, mas no ciclismo moderno muita coisa mudou, e os calendários são desenhados para que atingir o pico em duas Grandes Voltas consecutivas já não seja invulgar. Mesmo a dupla Giro–Tour, antes vista como quase impossível ao mais alto nível de forma consecutiva, tem sido tentada com mais frequência e, no caso de Tadej Pogacar em 2024, foi um sucesso absoluto.
E quanto às hipóteses de Vingegaard vencer o Tour, a presença no Giro pode não fazer grande diferença. Nas duas últimas épocas Pogacar esteve um patamar acima de todos, e ficou claro que ganhar o Tour depende da sua consistência e saúde, mais do que da capacidade de escalada de Vingegaard.
“Dizer ‘é altamente improvável que eu possa ganhar o Tour, a menos que hajam circunstâncias. Por isso vou apostar no Giro. Depois logo vejo o que o Tour traz’. Essa seria a minha leitura da sua decisão”, acrescenta Bruyneel.
“Não creio que Pogacar estivesse no mesmo estado de espírito. Porque ele domina. O Tour, a temporada, o mundo do ciclismo inteiro. Vais enfrentar um canibal”.
No Tour, nomes como Remco Evenepoel e Florian Lipowitz podem revelar-se candidatos muito credíveis ao segundo lugar, ou até mais alto se o domínio do esloveno abrandar; mas a presença de Vingegaard no Tour é sempre obrigatória porque um Pogacar saudável nunca é garantia absoluta.
“Tens de estar lá e tentar. Há sempre circunstâncias: não há garantia de que Pogacar vá fazer uma corrida limpa, sem problemas, todos os anos. Ele caiu no ano passado, e podia ter sido muito pior. Tens de estar em posição de pole para vencer”.
E, para Bruyneel, a presença no Giro pode fazer com que Vingegaard entre no Tour com muito menos pressão do que nos últimos anos, caso consiga vencer. Isso pode ser francamente benéfico. “Se ele vai ao Giro e o ganha, começa o Tour quase sem pressão. Tudo o que acontecer está bem. Não é como se tivesse de salvar a época”.

Duelo com Almeida em Itália

Contudo, não se pode dar por adquirido que Vingegaard triunfe na Corsa Rosa, tendo em conta os rivais à partida, à cabeça João Almeida, a meteorologia instável e as quedas que, nos últimos anos, alteraram significativamente o panorama das lutas pela geral.
“Ele tem de a ganhar, claro. Mas é o segundo melhor corredor de grandes voltas do mundo, não há dúvidas. Tadej Pogacar vai a fundo para o Tour e, para o Jonas, o João Almeida será o principal rival. Já mostrou que o consegue bater”. Em Itália, será provavelmente a UAE a colocar a maior oposição à Visma, mas deverá ser um duelo equilibrado, já que nenhuma das equipas estará com o seu bloco de apoio mais forte.
No entanto, Vingegaard é o homem a bater, no entender de Bruyneel, tendo em conta o que aconteceu em agosto e setembro. “Esse foi um Jonas que, na minha opinião, não estava no seu melhor. Ainda assim, conseguiu vencer, e com bastante autoridade, diria. Foi renhido e não foi ao mesmo tempo. Na última etapa, simplesmente foi-se embora de todos. Alguma vez Almeida o colocou verdadeiramente em apuros? O único que o fez na Vuelta foi Tom Pidcock. Almeida não conseguiu mesmo distanciar Vingegaard”.
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