ANÁLISE: os cinco grandes rivais de Tadej Pogacar para a Paris-Roubaix 2026

Ciclismo
terça-feira, 07 abril 2026 a 23:00
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A temporada atinge um momento definidor este domingo, 12 de abril, quando a Paris-Roubaix 2026 for para a estrada. Mas não é apenas outro Monumento. Tadej Pogacar chega com a possibilidade de se conseguir um feito alcançado por apenas três corredores.
Vencer no “Inferno do Norte” deixaria o líder da UAE Team Emirates - XRG a um passo de completar o pleno nos cinco Monumentos, juntando-se a Merckx, De Vlaeminck e Van Looy. Já com Milan-Sanremo e a Volta à Flandres no bolso este ano, Roubaix é uma das últimas barreiras numa carreira que continua a esticar os limites do ciclismo.
Ainda assim, se Pogacar quiser dar esse passo, terá de o fazer pelo caminho mais difícil. A oposição que se perfila é do mais forte e especializado que há.
No ano passado, Pogacar estreou-se na Paris-Roubaix e foi segundo, atrás de Mathieu van der Poel. O neerlandês regressa em 2026 à frente de um pelotão de luxo que inclui também Wout van Aert, Mads Pedersen, Filippo Ganna, Jasper Philipsen e muitos outros candidatos. Quem se interpõe entre Pogacar e a história do ciclismo?

1. Mathieu van der Poel

Se há um rival que Pogacar precisa de decifrar, é Mathieu van der Poel. O líder da Alpecin venceu as três últimas edições de Paris-Roubaix e, neste terreno, continua a ditar o padrão.
Poucos no pelotão moderno atravessam o empedrado com a mesma fluidez e eficiência. Mesmo com a ascensão de Pogacar nas Clássicas, Roubaix é um desafio muito diferente das subidas da Flandres ou do Poggio. O esloveno também não encontra aqui as rampas íngremes que tantas vezes usa para descolar rivais. Sem o Oude Kwaremont ou o Paterberg, qualquer movimento vencedor terá provavelmente de nascer de pressão contínua e não de um ataque único e decisivo.
Van der Poel, por sua vez, tem contas por acertar após ficar aquém em Milão–Sanremo e na Volta à Flandres, um incentivo extra sobre um currículo já formidável.
Mathieu van der Poel com o troféu da Paris-Roubaix
Mathieu van der Poel com o troféu da Paris-Roubaix

2. Wout van Aert

Wout van Aert continua a ser um dos corredores mais completos do pelotão, e Paris-Roubaix é o Monumento que ainda lhe escapa.
As prestações recentes sugerem que está a construir forma para outro grande resultado. A solidez mostrada na Volta à Flandres, somada à consistência na campanha do empedrado, sublinha a condição com que chega a Roubaix.
Para Pogacar, o desafio tático é claro. Permitir que Van Aert chegue ao velódromo na discussão traz riscos óbvios. Depois de uma corrida tão longa e castigadora, sprintar contra Van der Poel ou Van Aert é cenário que poucos escolheriam.

3. Filippo Ganna

Filippo Ganna surge como um dos nomes mais intrigantes do pelotão. A sua capacidade de responder nas grandes corridas está provada, e a forma recente só reforça o seu estatuto.
Em Milão–Sanremo 2025, quando recuperou para Pogacar e Van der Poel antes de ser segundo, mostrou que pode competir ao mais alto nível nas provas de um dia. Mais recentemente, a vitória na Dwars door Vlaanderen confirmou tanto a condição como o faro tático.
A Roubaix do ano passado ficou comprometida cedo por um furo, mas, se evitar contratempos e chegar bem colocado após Arenberg, tem potência para seguir com os melhores até ao final.

4. Mads Pedersen

A primavera de Mads Pedersen foi moldada por um contratempo no início da época, mas os resultados desde o regresso apontam para progressão constante. Uma série de colocações fortes em Milão–Sanremo, E3 Saxo Classic, Dwars door Vlaanderen e Volta à Flandres sublinha consistência e resiliência. Porém, a falta de competição sem interrupções pode pesar face a rivais em pleno ritmo.
Na Volta à Flandres, não conseguiu responder quando Pogacar acelerou nas subidas decisivas, e essa continua a ser a incógnita à entrada de Roubaix. Mesmo assim, o que já mostrou aqui, aliado à trajetória atual, impede que seja descartado.

5. Jasper Philipsen

Jasper Philipsen representa um perigo de natureza diferente. O seu caminho para a vitória não passa por atacar de longe, mas por sobreviver à corrida e chegar ao velódromo com hipótese de sprintar.
A forma recente indica tendência positiva, com triunfo na Nokere Koerse e mais resultados sólidos nas corridas belgas. Crucialmente, já provou valor na Paris-Roubaix, sendo segundo por duas vezes nas últimas edições. Se a corrida se reagrupa nos quilómetros finais, Philipsen torna-se um dos mais perigosos em prova.
Em termos simples, os corredores com maiores hipóteses de travar Pogacar na Paris-Roubaix são Van der Poel, Van Aert, Ganna, Pedersen e Philipsen. Para lá deles, um bloco vasto de outsiders acrescenta imprevisibilidade.
Resta saber se algum conseguirá impedir Pogacar de conquistar o único Monumento que falta no seu palmarés, dando mais um passo rumo ao topo absoluto da história do ciclismo.
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