Especialistas eslovenos rebatem a ideia de que Tadej Pogačar torna o ciclismo aborrecido: “Vejam quantas pessoas estão à beira da estrada”

Ciclismo
terça-feira, 07 abril 2026 a 12:00
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Tadej Pogacar assinou mais uma lição tática na Volta à Flandres 2026. Mais importante ainda, a grande conclusão desta vitória é que a forma atual abre a porta para pensar em grande com vista a Paris-Roubaix - o último Monumento que falta no palmarés de Pogacar. Foi esse o consenso geral entre vários especialistas no podcast esloveno Tour 202.
A terceira vitória do líder da UAE Team Emirates - XRG reforça uma tendência que começa a parecer inevitável. "Não sei o que ainda pode surpreender quando alguém alcança a 111ª vitória da carreira. Todos sabemos, até os corredores, o que vai acontecer, mas ninguém o consegue travar. É o que fica, e quero que dure o máximo possível", explicou o jornalista Luka Dolar.
No mesmo sentido, o seu colega e também especialista de ciclismo esloveno Igor Tominec sublinhou que o desfecho estava dentro das expectativas: "Na Flandres todos sabíamos que o Tadej era o grande favorito e, se nada de realmente mau acontecesse, ia ganhar."
Um dos aspetos mais marcantes foi a potência de Pogacar fora do seu terreno habitual. "Também foi mais forte do que o Van der Poel no plano, por isso estou otimista e acho que vai discutir com ele a vitória no próximo Monumento, Paris-Roubaix", acrescentou Tominec.
A análise foi completada pelo ex-profissional Jure Zrimsek, que esmiuçou o momento decisivo.
Wout van Aert e Tadej Pogacar na Volta à Flandres 2026
Wout van Aert e Tadej Pogacar na Volta à Flandres 2026
"Quando ficaram sozinhos, o Remco estava logo atrás, a cinco a dez segundos. O Mathieu teve de trabalhar se queria segurar o segundo lugar. Cedeu perante o Tadej ainda antes da meta, por isso acho que soube, uns quilómetros antes, que não conseguiria manter o ritmo. Colaborou com ele para o Evenepoel não os apanhar. Ficou claro que o Tadej começou a subir o andamento rapidamente no Oude Kwaremont e que também estava muito veloz no plano."
O papel de Remco Evenepoel também entrou na discussão. Zrimsek apontou como o desfecho poderia ter mudado: "Então o Tadej não teria ficado tão para trás. Tudo teria sido resetado. Toda a gente saberia o seu lugar e correria em conformidade."
Esboçou ainda um possível cenário para o próximo grande compromisso - Paris-Roubaix: "No próximo fim de semana, se a UAE Emirates - XRG começar a atacar cedo, o Tadej terá uma grande oportunidade. A previsão está boa, por isso teremos de ir ao ataque rapidamente para desgastar os rivais."

O espetáculo continua a atrair multidões

Apesar das críticas à previsibilidade das suas vitórias, o apelo do esloveno junto do público parece indiscutível. "Vemos muitas vezes comentários a dizer que o Tadej Pogacar torna a corrida menos interessante. Quem diz isso não olha para a quantidade de gente na berma da estrada", notou Tominec. "Pelo que ouvi, pode até ter havido o maior número de adeptos da história do percurso; mesmo quando os belgas ganhavam, não eram tantos."

A passagem de nível sob escrutínio

O caos inicial na passagem de nível também foi debatido. Zrimsek apresentou uma explicação cautelosa: "Acho que os ciclistas da frente viram as luzes a piscar, enquanto os que vinham um pouco mais atrás talvez estivessem a falar com alguém e não prestaram tanta atenção. Se todos os da frente tivessem parado, podia ter havido uma queda."
Os analistas concordaram em desvalorizar a responsabilidade dos corredores e em descartar sanções de maior dimensão.
Com a Flandres no retrovisor, todos os olhares se viram para o Inferno do Norte. E, se há algo claro após esta análise, é que Pogacar não domina apenas nas subidas: impõe agora respeito também no plano, um detalhe que pode ser decisivo em Roubaix.
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