Análise: UAE de João Almeida, Visma de Vingegaard ou Red Bull de Evenepoel, qual o melhor bloco na Volta à Catalunha?

Ciclismo
segunda-feira, 23 março 2026 a 11:33
Almeida
A Volta à Catalunha 2026 vai para a estrada hoje e termina no próximo domingo. 7 etapas de uma edição que promete ser uma das melhores de sempre, com vários candidatos à geral, um pelotão verdadeiramente digno de Volta a França. Mas vamos concentrar a nossa análise naqueles que são amplamente considerados os 3 favoritos a erguer o troféu em Barcelona: Jonas Vingegaard, João Almeida e Remco Evenepoel, bem como nos ciclistas que os vão acompanhar.
Começamos pelo dinamarquês e pela Team Visma | Lease a Bike, que apresenta aqui um bloco muito forte em torno do campeão do Paris-Nice. Sepp Kuss, Davide Piganzoli, Bruno Armirail e Jorden Nordhagen para a alta montanha; Bart Lemmen e Menno Huising para a média montanha, numa corrida sem contrarrelógio, fazem all-in na montanha. Alguma curiosidade para ver o nível do norte-americano, que tem apenas 4 dias de competição em 2026, abandonou na Volta ao Omã e já deverá estar em boa forma, já que fará a dobradinha Giro-Tour ao lado de Vingegaard.
Armirail esteve no Paris-Nice e, juntamente com Victor Campenaerts, foi um dos gregários da semana, também se espera um apoio importante aqui. Piganzoli também esteve bem na corrida francesa, até abandonar por queda na mítica 4ª etapa. Nordaghen é uma das esperanças da equipa, foi líder no UAE Tour e cumpriu, terminando no top 10, estará certamente muito motivado para dar tudo pelo líder.
nordhagen
Além disso, Vingegaard está em grande forma e tem tudo para levar de vencida esta corrida, ainda que espere que seja mais renhida que o Paris-Nice, não perspetivo uma diferença superior a 2 minutos para o 2º classificado.
Passamos para a UAE Team Emirates - XRG, que tem João Almeida como líder, de regresso após uma ligeira doença que o obrigou a falhar o Paris-Nice. Tem experiência nesta corrida, já aqui esteve por 4 ocasiões e fechou sempre no top 10. Essa não será a meta desta vez, aspira à vitória, mas para isso terá que bater Vingegaard, que será também o seu grande rival na Volta a Itália, e depois da troca de galhardetes entre ambos, isto está quentinho...
Quanto ao bloco da UAE, nome por nome parece mais forte que o da Visma, mas quando olhamos para a verdadeira aceção de "equipa", parece-me que as abelhas levam a melhor. Marc Soler vem motivado pelo top 10 no Paris-Nice e corre em casa, estará 100% ao serviço de Almeida? Duvido.
Jay Vine só fez uma prova em 2026, e ganhou-a, foi no Tour Down Under, também estará no Giro e aí sim, acredito que queira ganhar uma ou outra etapa, aqui poderá colocar-se ao serviço do português.
Brandon McNulty, a peça central para a vitória de Tadej Pogacar na Milan-Sanremo, rebocou o líder Cipressa acima, desde a cola do pelotão até à frente, impôs ritmo e quando passou a batuta para Del Toro, a maioria do pelotão já ia com a corda na garganta, já provou na Volta ao Algarve que está disposto a deixar tudo na estrada pelo João Almeida e a missão passa por fazer o mesmo aqui, o seu ritmo pode reduzir o grupo dos favoritos a uma mão cheia de homens.
mcnulty - gp de montreal
McNulty retribuiu a oferta de Pogacar no GP Montreal com uma ajuda fundamental na Milan-Sanremo
Saúda-se o regresso à competição de Filippo Baroncini, que não corre desde a queda na Volta à Polónia 2025, será utilizado essencialmente para controlar o pelotão no terreno plano, que nesta corrida escasseia, não se pode pedir muito ao italiano. A mesma missão estará reservada a Ivo Oliveira e Adrià Péricas, com o espanhol a ser útil também na média montanha.
Por fim, a Red Bull - BORA - Hansgrohe, admito que é um bloco difícil de analisar. Remco Evenepoel será líder absoluto? Dupla liderança com Lipowitz? Ou tripla liderança com o belga, o alemão e Hindley?
Remco Evenepoel esteve a estagiar em altitude, no Teide, e quase ficou lá retido devido a um nevão, mas está presente e, teoricamente, mais forte na alta montanha, já que vai enfrentar 3 chegadas em alto, duas delas acima dos 2000m de altitude.
Confesso que depois de dominar o arranque de temporada em Espanha, esperava que estivesse no pódio do UAE Tour, mas na primeira chegada em alto foi ao vermelho e já não conseguiu reverter a situação, Evenepoel tem muito a provar nesta corrida, se quiser sonhar com o regresso ao pódio no Tour, em julho.
A parceria com Lipowitz será interessante de analisar, já que será a única vez que vão correr juntos numa prova por etapas antes da Grande Boucle (estiveram ambos na vitória no CRE do Trofeo Ses Salines). O alemão fez top 10 na Volta ao Algarve, ainda que pouco se tenha dado por ele, não pespetivo que se coloque ao dispor de Remco, funcionarão como dupla carta para a geral, a grande questão é saber como utilizar uma possível superioridade numérica.
Jai Hindley entra sempre a frio nas temporadas, foi apenas 22º no Tirreno-Adriatico, trabalhou a espaços para Roglic e Pellizzari, mas, na minha opinião, a Red Bull deveria utilizá-lo na Catalunha para atacar de longe, o antigo campeão do Giro é ofensivo e essa estratégia poderia permitir aos dois colegas protegerem-se e estarem mais frescos para o final.
Quanto ao restante alinhamento, Mattia Cattaneo será uma peça chave, por algum motivo Remco o trouxe para a equipa, é um diesel muito fiável na alta montanha. Luke Tuckwell, Nico Denz e Frederik Wandahl são gregários para a média montanha e terreno plano, gostaria de destacar Denz, que partiu completamente o pelotão no Paris-Nice, no dia em que Vingegaard venceu e Daniel Martínez foi 2º, com a Red Bull a ter, a certa altura, 4 homens num grupo, e outro elemento era Vingegaard.
Há outras equipas que podem dar luta a estas três, à cabeça a Lidl-Trek, que traz Derek Gee, Mathias Skjelmose, Giulio Ciccone e Tao Geoghegan Hart, estou a ver perfeitamente o italiano a ganhar em Barcelona, no circuito de Montjuic, é um final que se adapta muito bem às suas características. A própria Bahrain - Victorious, com Lenny Martinez, Santiago Buitrago, Afonso Eulálio e Jakob Omrzel também vem forte e em boa forma, principalmente os dois primeiros, que fizeram top 10 no Paris-Nice e Tirreno, respetivamente. O francês, inclusive, bateu Vingegaard na última etapa, cuidado com ele!
Para resumir, diria que a Visma tem o bloco mais forte e o melhor ciclista, a UAE tem os melhores ciclistas individualmente e a Red Bull tem mais planos para a geral, com 3 homens a poderem estar na luta pela vitória.
Será uma Volta à Catalunha recheada de estrelas, com muito sumo, muitas rivalidades, tudo para acompanhar diariamente no CiclismoAtual, com resumos, entrevistas, antevisões e liveblogs.
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