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Volta à Romandia 2026 realiza-se de 28/4 a 3/5 e marcará a estreia de
Tadej Pogacar em provas por etapas este ano. A corrida suíça é o último grande teste antes da Volta a Itália e chega após as clássicas da primavera, fase em que muitos procuram salvar a época. Fazemos a
antevisão da 2ª etapa, com partida e chegada estimadas às 12:20 e 16:15.
A prova realizou-se pela primeira vez em 1947, com o belga Désiré Keteleer a vencer a estreia. Disputa-se na parte francófona da Suíça e tem um palmarés muito internacional, atravessando gerações e perfis de corredores. Muitos grandes nomes deixaram marca: Eddy Merckx, Bernard Thévenet, Bernard Hinault, Stephen Roche e Laurent Jalabert.
Já neste século, Cadel Evans, Bradley Wiggins e Chris Froome usaram a Romandia antes dos seus primeiros triunfos na Volta a França; enquanto nomes como Nairo Quintana, Richie Porte, Primoz Roglic e Geraint Thomas também venceram a geral numa das sete grandes provas por etapas fora dos Grand Tours.
Perfil da 2ª etapa: Rue - Vucherens
Rue - Vucherens, 173,7 quilómetros
A 2ª etapa apresenta um traçado ligeiramente mais acessível do que o anterior, mas com mais desnível acumulado ao longo do dia. Não há montanha, porém os 173 quilómetros entre Rue e Vucherens somam 2.700 metros de subida, que começam logo nos primeiros quilómetros.
Segue-se um circuito de três voltas com final em Vucherens, cortando a meta após uma curta subida. É um dia para classicomans onde os especialistas terão oportunidade, embora um sprint seja provável a partir de um pelotão filtrado pelos obstáculos. Uma fuga também pode vingar.
Nestas estradas onduladas o controlo não é simples e a subida final pode pesar mais com a fadiga acumulada. São 3,1 quilómetros a 5,4%, terminando a apenas 2,5 quilómetros da meta. O ritmo será alto, os ataques são prováveis e até um movimento oportunista pode resultar. Caso não aconteça, um sprint de grupo reduzido deverá dar aos rápidos a sua única hipótese da semana.
Os favoritos
Esta é a etapa mais favorável aos sprinters nesta corrida, embora, na verdade, não haja puros velocistas. O desenho é para trepadores, o que não faz total sentido dado que, nesta altura do ano, muitos sprinters estão livres, poucos irão a Frankfurt e a Volta a Itália não reúne a maioria dos homens rápidos.
No papel, assenta nos puncheurs, mas sendo a mais veloz, os homens rápidos quererão disputá-la e várias equipas terão interesse em controlar. Antes de mais, Tadej Pogacar pode vencê-la. Falta-lhe dureza global, mas se Pogacar abre diferenças na Cipressa, também pode fazê-lo numa subida final de 3 quilómetros. Duvido que queira forçar e decidirá no momento se sprinta ou não. A UAE pode dar a Ivo Oliveira a oportunidade, após o bom prólogo e por já ter mostrado qualidade neste tipo de finais.
Ivo Oliveira tem estado perto da vitória na Romandia, será desta?
Dorian Godon é, na minha opinião, o homem a bater e, com Oscar Onley fora, a INEOS deverá concentrar-se totalmente nele. Sim, já venceu uma etapa, mas a INEOS dificilmente ganhará outra, e aqui tem um corredor que sobe muito bem e, sobretudo, deverá ter o sprint mais forte do lote. A acompanhar, creio que a Visma poderá trabalhar para
Axel Zingle, enquanto a Lidl–Trek depositará a confiança no jovem
Albert Philipsen, que dá grandes passos e tem o equilíbrio ideal entre subida e sprint para um final destes.
Além destes, poderemos ver Casper Pedersen ou Marius Mayrhofer tentarem o sprint, embora devam sofrer para chegar bem colocados após a subida. Entre os puncheurs, Mauro Schmid, Clément Champoussin, Max Schachmann e Finn Fisher-Black podem atacar tardiamente, ou até sprintar pela vitória se o grupo chegar bastante reduzido.
Previsão para a 2ª etapa da Volta à Romandia 2026
*** Dorian Godon
** Tadej Pogacar, Axel Zingle, Albert Philipsen
* Ivo Oliveira, Mauro Schmid, Casper Pedersen, Marius Mayrhofer, Finn Fisher-Black, Lenny Martínez
Escolha: Dorian Godon
Como: Sprint em grupo reduzido
Original: Rúben Silva