António Morgado deixou definitivamente o anonimato após o excelente 2º lugar alcançado nos Campeonatos do Mundo de estrada realizados no passado mês de Agosto em Glasgow, na Escócia.
Mas o mundo da ribalta não é desconhecido para Morgado, pois um ano antes em Wollongong, na Austrália, disputou ao sprint com Emil Herzog a possibilidade de vestir a camisola arco íris em juniores até ao último metro, acabando batido pelo alemão.
Agora, o corredor natural das Caldas da Raínha, terá pela frente um novo desafio, após um ano na equipa Hagens Berman Axeon. Nada mais nada menos que a equipa de João Almeida, a UAE Team Emirates. Como curiosidade, tanto António Morgado como João Almeida têm em comum a terra onde nasceram, cresceram e começaram no ciclismo, uma pequena aldeia chamada A-dos-Francos.
Mas se Morgado e Almeida são naturais da mesma terra e fazendo o mesmo percurso nos primeiros passos no ciclismo até aos dias de hoje, há características que os distinguem. Todos sabemos que João Almeida é um corredor conservador, que não dá muito nas vistas, mas tem uma consistência enorme. Já Morgado é extrovertido, gosta de ciclismo de ataque, não vira a cara à luta e só tem um pensamento que o guia quando se põe em cima da bicicleta: Ganhar.
Com a transição para o World Tour a sua vida mudará novamente, mas Morgado, que foi cobiçado pelas maiores equipas do pelotão internacional, não se mostra preocupado " Tive a oportunidade de escolher a equipa para onde queria ir, porque quase todas as melhores queriam contar comigo. Foi uma decisão difícil, mas escolhi a UAE e espero que tenha sido uma boa escolha" afirma, numa entrevista concedida à Ciclismo a Fundo.
Sobre se João Almeida tinha tido influência na sua escolha, Morgado foi peremptório " Não. Pedi ao João Correia (agente, ndr.). Acho que dentro das opções que tinha foi a melhor escolha a todos os níveis ( treinador, acompanhamento e também económico). O Almeida não teve nenhuma influência na minha escolha".
Questionado sobre o estágio com a UAE já nos próximos meses, na ansiedade de poder estar ao lado de estrelas como Tadej Pogacar e do calendário para 2024, Morgado foi directo nas respostas, " A minha época ainda não terminou, tenho algumas corridas pela frente e quero estar bem para poder lutar por um bom lugar nessas provas. O calendário... ainda não sei, é muito cedo. Poderei eventualmente discutir corridas ou ter outra missão, como participar nas clássicas. Mas, sinceramente, ainda não penso na ida para a UAE Team Emirates."
Tendo saído de Portugal aos 18 anos para abraçar um futuro que se antevê muito promissor, é inegável perguntar a Morgado se alguma vez teria pensado em participar na maior festa do ciclismo do seu país, a Volta a Portugal. A sua resposta foi tão simples como directa "Nunca sonhei participar na Volta a Portugal e se participasse era um mau sinal. Gosto de ver, mas não tenho nenhuma intenção de participar", o que demonstra bem a ambição que sempre teve o acompanhou.
Morgado finaliza a entrevista de forma alusiva e revela o seu maior segredo para o sucesso: " Se alguém está a trabalhar mais, eu quero treinar mais. Sei que o ciclismo é uma modalidade extremamente exigente, mas eu gosto. Eu sempre quis ser o melhor e trabalho para issso. Dou sempre o máximo."
Carlos Silva é redator do CiclismoAtual.com e do CyclingUpToDate.com, onde contribui regularmente com crónicas de corrida, entrevistas, análises e cobertura em direto das principais competições do calendário internacional. Licenciado em Desporto pelo Instituto Jean Piaget, alia a formação académica na área do rendimento desportivo e da competição à experiência prática no jornalismo de ciclismo profissional.
Ao longo da sua carreira, realizou entrevistas a figuras de referência do pelotão internacional, incluindo Alberto Contador, Joaquim Rodríguez, Óscar Pereiro, João Almeida, Isaac del Toro, Derek Gee, John Degenkolb e Geraint Thomas, refletindo contacto direto com vencedores de Grandes Voltas, especialistas de clássicas e jovens talentos emergentes.
Esteve presente em provas de alto nível, desde a Vuelta a España até ao Tour de France, bem como em corridas por etapas como a Vuelta a Andalucía, a Volta ao Algarve, a Volta a Portugal e O Gran Camiño. A cobertura das míticas subidas do Giro d'Italia permanece como um dos seus objetivos profissionais.
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