Jonas Vingegaard tenta vencer a
Volta a Itália 2026 pela
Team Visma | Lease a Bike, mas, antes de a corrida ganhar forma na estrada, o dinamarquês já teve de responder a perguntas sobre uma batalha bem diferente fora dela.
O bicampeão da Volta a França foi arrastado para um dos maiores dossiês do mercado após o lançamento da Netcompany INEOS, o novo projeto britânico agora apoiado por investimento dinamarquês de peso.
Com a INEOS determinada a regressar ao topo nas Grandes Voltas, e com Vingegaard ainda a ser um dos poucos corredores que conseguiu bater Tadej Pogacar em julho, a especulação dificilmente ficaria adormecida por muito tempo.
Falando na apresentação das equipas da
Volta a Itália em Burgas, Bulgária, Vingegaard deixou claro que os rumores foram muito além da realidade. “Quase dá para ler que já assinei praticamente. Mas não, não falei com eles”, disse Vingegaard aos media dinamarqueses.
Vingegaard trava a ligação à Netcompany
Jonas Vingegaard antes da 2ª etapa da Volta a Itália 2026
A mais recente vaga de rumores centrou-se também na presença do agente de Vingegaard num evento da MyPreffy no Tivoli, com sugestões de que poderia estar ligado à Netcompany. Vingegaard rejeitou a ideia de forma direta. “Não, não estava. Ele esteve lá para nos apoiar. Portanto, não, não falei com a Netcompany”, afirmou.
Essa é a novidade. Vingegaard não falou com a INEOS. Não falou com a Netcompany. Para já, continua líder da Visma na Volta a Itália, com contrato até ao final de 2028, e permanece a peça central das ambições da equipa nas Grandes Voltas.
Mas a razão para o crescimento da história é evidente. A Netcompany INEOS chegou com músculo financeiro e ambição clara de devolver a antiga estrutura da Team Sky ao nível vencedor do Tour. Vingegaard, por seu lado, é exatamente o tipo de corredor em torno do qual qualquer equipa com essas ambições sonharia construir. Venceu o Tour em 2022 e 2023, manteve-se como o mais sólido contraponto a Pogacar nas Grandes Voltas e continua a representar um dos contratos mais valiosos do pelotão.
Porque é que o rumor persegue a Visma
Isto não é apenas uma história da INEOS. Surge também num momento em que o planeamento de futuro da Visma está sob escrutínio. A equipa neerlandesa já foi associada a Paul Seixas, o francês de 19 anos cuja primavera o tornou num dos corredores mais cobiçados do pelotão. Essa ligação levantou de imediato questões mais amplas sobre como poderá ser a próxima era da Visma, sobretudo se a equipa estiver a pensar além do atual ciclo de Vingegaard enquanto tenta competir com a UAE Team Emirates-XRG, a Red Bull - BORA - Hansgrohe, a Lidl-Trek e a Decathlon CMA CGM Team num mercado cada vez mais caro.
Isso não significa que Vingegaard esteja a ser empurrado para fora. Não significa que Seixas esteja a ser preparado como substituto direto. E, certamente, não significa que um acordo com a Netcompany INEOS esteja em marcha.
Significa, sim, que a Visma se encontra no centro de duas conversas interligadas: como continuar a ganhar com Vingegaard agora, e como preparar a próxima geração antes de os rivais lá chegarem primeiro.
Uma negação, não o fim do debate
Para a Visma, a prioridade imediata é a Volta a Itália. Vingegaard está atualmente a competir em Itália, focado em juntar a maglia rosa a um currículo de Grandes Voltas que já inclui triunfos na Volta a França e na Volta a Espanha.
Para a INEOS, o grande projeto ainda agora começou. A chegada da Netcompany alterou a escala da ambição da equipa e, com isso, surge a especulação inevitável em torno dos maiores nomes do ciclismo. A resposta de Vingegaard foi suficientemente firme. Não falou com eles, nem falou com a Netcompany.
Mas num pelotão onde a Visma é ligada a Seixas, a INEOS se reconstrói com apoio dinamarquês e Pogacar continua a ser a bitola a perseguir, a questão sobre onde se encaixam a seguir os maiores líderes de Grandes Voltas do ciclismo não desaparecerá depressa.