DEBATE 2a etapa da Volta à Romandia - A INEOS errou? Excesso de confiança? Faltou ambição ao pelotão?

Ciclismo
sexta-feira, 01 maio 2026 a 7:00
Tadej Pogacar

Carlos Silva (CiclismoAtual)

Tadej Pogacar venceu a etapa. Onde está a surpresa? Não fiquei minimamente surpreendido. Foi simplesmente o mais forte, ponto final. Mas chamemos as coisas pelos nomes.
Na etapa mais acessível da corrida, apenas quatro equipas colocaram um homem em fuga. Falta de ambição? Sem dúvida, sobretudo tendo em conta que as pernas ainda estão frescas, sendo apenas a segunda etapa em linha. A fuga nunca teve verdadeira margem, sobretudo porque a INEOS Grenadiers e a UAE Team Emirates - XRG colocaram homens na perseguição e mantiveram tudo sob controlo.
Ao aproximar da fase decisiva, a formação britânica elevou muito o ritmo, convicta de que Dorian Godon tinha pernas para disputar o triunfo. O vento favorável na última subida só tornou tudo mais rápido, incentivando ataques e contra-ataques… contra o campeão do mundo, no terreno onde mais gosta. A esta altura, já deveria ser óbvio que não é assim que se derruba Tadej Pogacar.
Jefferson Cepeda tentou mais do que uma vez, Florian Lipowitz esboçou um movimento, até Primoz Roglic apareceu na frente. E Tadej Pogacar? Calmo, composto, quase indiferente. Respondeu a cada aceleração sentado, como quem diz: “Não sei bem porque é que vocês estão a tentar”.
O ritmo foi impiedoso e isso terá custado à INEOS alguma energia preciosa para o sprint. Godon lançou cedo, mas Pogacar passou por ele como um avião. No fim, o esloveno virou o jogo e bateu-o no próprio terreno.
A INEOS pagou caro o excesso de confiança no seu sprinter. Uma lição aprendida, da forma mais dura.

Ruben Silva (CyclingUpToDate)

Nota-se que estamos no final da primavera porque a forma está algo irregular para alguns corredores nesta fase da época. Uns mantêm o foco alto enquanto outros já não têm a mesma afinação, mas isso pouco mexe com a folha de resultados quando se tem um Tadej Pogacar na partida.
Senti pela INEOS, que assumiu a responsabilidade hoje. Trabalhou a fundo para dar a Dorian Godon uma oportunidade de vencer ao sprint. O francês sofreu na subida com os ataques, mas Tadej Pogacar fez exatamente o que Godon precisava, controlou cada investida e depois apareceu na frente no momento perfeito.
O francês tinha tudo controlado, mas acabou batido pelo próprio Pogacar, que podia sempre vencer esta etapa ao sprint, embora eu pensasse que preferiria fazê-lo com um ataque. Com a INEOS esgotada e a BORA a impor um ritmo muito alto no arranque da subida final, Pogacar teve a oportunidade perfeita para atacar e vencer isolado.
Mas, mais uma vez, não o fez, o que é estranho, diga-se, embora no fim não tenha feito diferença. Em vez de atacar, optou por responder a todos os movimentos, decisão pouco lógica e que levanta questões. A UAE voltou a não lhe dar apoio na fase decisiva, e ele fez tudo sozinho nos quilómetros finais.
No outro lado da equação esteve a BORA, que trabalhou para um sprint com Finn Fisher-Black, estratégia que resultou, porém Godon sobreviveu e Pogacar tem o “bug do infinito”, que, no fim, retira oportunidades a corredores como ele. Foi positivo ver Primoz Roglic a trabalhar para os colegas hoje, mas foi estranho vê-lo perder 2 minutos no final, decisão deliberada já que ontem mostrou ter forma.
Haverá várias explicações, mas tendo ele puxado tanto ontem como hoje, não é por isso que estará mais fresco ou que lhe darão liberdade para entrar numa fuga.

Javier Rampe (CiclismoAlDia)

Segunda etapa em linha na região suíça da Romandia. Desta vez, o pelotão abrandou ligeiramente num dia em que a fuga demorou mais do que o esperado a formar-se. O quarteto da frente honrou a etapa, mas Jakob Soderqvist foi, sem dúvida, o mais combativo antes da subida final para Vuillens.
Esta ascensão explosiva, colocada de forma estratégica no fim da etapa, num circuito que faz lembrar um percurso de Campeonato do Mundo, tinha veneno. Quem sabe se Tadej Pogacar não terá feito até um pouco de reconhecimento.
Se ontem dizíamos que o único rival que Pogacar realmente enfrenta é o próprio ciclismo e a sua história, hoje o já lendário corredor pareceu determinado a elevar novamente a fasquia. Desta vez perante Dorian Godon, um especialista comprovado neste tipo de final. Não importou: o homem da UAE anulou-o e depois bateu-o com uma arrancada de sprinter.
Pogacar veio à Volta à Romandia como preparação para objetivos maiores, nomeadamente a caça ao quinto título na Volta a França, mas o seu estilo mantém-se inalterado: agressivo, implacável, sempre a atacar.
Mais uma lição hoje, desta vez contra um rival teoricamente mais rápido, em terreno favorável ao adversário. Quando Pogacar corre, ganha o ciclismo. E quando Pogacar vence, escreve-se mais uma linha dourada no legado que um dia deixará.
E você? Qual é a sua opinião sobre a 2ª etapa da Volta à Romandia? Diga-nos o que pensa e junte-se ao debate.
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