O português
João Almeida admitiu esta terça-feira que nunca equacionou ver a sua história transformada em livro, mas deixou claro que a meta maior da carreira permanece inalterada: conquistar uma grande Volta. A declaração foi feita na apresentação de João Almeida e a montanha mágica, da autoria de Gonçalo Moreira, apresentada na Guia, em Albufeira, perante uma assistência composta maioritariamente por jovens.
No momento mais descontraído da sessão, um dos jovens presentes lançou a pergunta direta: "Qual é o teu sonho?" O líder da UAE Emirates sorriu e respondeu sem rodeios: "Ganhar uma grande Volta!» Reconhecendo que a Volta a França é "claramente o mais difícil", explicou que, na presente temporada, decidiu regressar ao Giro por sentir necessidade de "mudar um bocadinho de ares", procurando renovar energias e abraçar desafios distintos.
Aos 27 anos, Almeida subiu ao palco sozinho para falar de uma obra que ainda não teve oportunidade de ler, mas que percorre o seu trajeto desde os primeiros anos até ao segundo lugar na Vuelta 2025. "É gratificante, nunca pensei que fosse acontecer. Sinto-me uma pessoa normal, como todos", afirmou o corredor natural de A-dos-Francos.
Se o discurso é simples, o currículo está longe de o ser. Considerado o melhor voltista português da atualidade e apenas superado, em termos históricos, por Joaquim Agostinho, Almeida soma resultados que sustentam essa posição: segundo na última Volta a Espanha, terceiro no Giro 2023 e quarto no Tour 2024. "Escrever um livro sobre isso mostra que o trabalho dá frutos", sublinhou, fazendo questão de enaltecer o papel de "as pessoas certas" que o acompanharam ao longo do percurso.
Depois de se afirmar na Deceuninck-Quick Step entre 2020 e 2021, o português consolidou-se na
UAE Team Emirates - XRG, equipa com a qual tem vínculo até 2028. Ainda assim, reconhece que a projeção internacional exige esforço redobrado quando se nasce num país onde a modalidade não lidera preferências. "O ciclismo não é o desporto principal do país. É difícil dar nas vistas".
Com a 52ª
Volta ao Algarve prestes a arrancar, com 5 etapas, destacando-se as chegadas em alto à Fóia, Malhão e o contrarrelógio individual em Vilamoura, Almeida assume a responsabilidade de competir com o dorsal 1 e aponta à vitória. "É o nosso território, temos de ganhar aqui. Ganhar com a nossa gente tem outro sabor", afirmou, antes de se desdobrar em autógrafos e fotografias com os adeptos.