Remco Evenepoel deu uma verdadeira lição de contrarrelógio no Campeonato do Mundo de 2025 em Kigali, conquistando mais uma camisola Arco-Íris na disciplina com uma exibição demolidora. O belga dominou desde o primeiro ponto intermédio e, num momento que ficará para a história, apanhou e ultrapassou Tadej Pogacar nos últimos quilómetros da prova.
Para Pogacar, que celebra o aniversário no dia de hoje, a jornada terminou em frustração: ficou a apenas um segundo da medalha de bronze, que foi para Ilan van Wilder. Jay Vine garantiu a prata, atrás de um imparável Evenepoel.
“É agridoce”
“Talvez se eu soubesse que estava a apenas um segundo do pódio no último quilómetro, poderia ter dado um pouco mais. Hoje estou provavelmente arrependido, mas amanhã é um novo dia”, admitiu Pogacar à Cycling Pro Net. “Não foi a minha melhor prestação, mas dadas as circunstâncias posso estar satisfeito com o que sofri.”
O esloveno explicou que uma doença durante a preparação para o Canadá perturbou o treino específico na bicicleta de contrarrelógio. “Se eu quisesse estar a 100% para o contrarrelógio, devia ter faltado ao Canadá. Mas sabia que tinha de lá ir para estar no meu melhor para a corrida de estrada. Por isso, foi a decisão certa nesse sentido.”
Pogacar foi ultrapassado por Evenepoel a cerca de 2 kms da meta e ficou a 1 segundo das medalhas
Apesar da desilusão, Pogacar não deixou de reconhecer a superioridade do belga: “É difícil de engolir, de certeza. Mas é o Remco e ele é muito bom nesta disciplina. Esperemos que ele tenha dado 100% hoje e que esteja 99% pronto para nós no próximo domingo.”
Percurso exigente e motivação renovada
O percurso de Kigali, com descidas rápidas, secções técnicas e altitude a rondar os 1500 metros, recebeu elogios do esloveno: “É preciso ter boas pernas, mas também um bom posicionamento. As descidas são importantes, as estradas são rápidas e a altitude torna tudo mais difícil. Gostei de treinar aqui nos últimos dias e agora estou ansioso pela corrida de estrada.”
Apesar de não ter recebido a prenda de aniversário que desejava, Pogacar mantém a ambição intacta para o próximo fim de semana: “No ano passado, ganhei o Campeonato do Mundo no dia de aniversário do meu irmão, o que foi especial. Este ano não era para ser no meu. Mas talvez possa dar a mim próprio o melhor presente no próximo domingo.”
Carlos Silva é redator do CiclismoAtual.com e do CyclingUpToDate.com, onde contribui regularmente com crónicas de corrida, entrevistas, análises e cobertura em direto das principais competições do calendário internacional. Licenciado em Desporto pelo Instituto Jean Piaget, alia a formação académica na área do rendimento desportivo e da competição à experiência prática no jornalismo de ciclismo profissional.
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